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O Gestor de Projeto Moderno

O Gestor de Projeto Moderno

10
Ago19

Finito vs Infinito

Luís Rito

Olá a todos, espero que se encontrem bem ,

 

Hoje vamos falar da teoria dos jogos, mais concretamente da diferença entre jogos finitos e infinitos. Para quem não conhece, jogos finitos dizem respeito a jogos onde os jogadores obedecem a regras pré-definidas, onde se reconhecem quais os limites do jogo e onde existem vencedores e vencidos (e como tal têm uma duração definida). Por contraste, os jogos infinitos são aqueles onde não existe o conceito de vencedor, onde não existem regras pré-estabelecidas e onde o principal objetivo é perpetuar o jogo pelo máximo de tempo possível.

 

Por esta altura deves estar a pensar que perdi a cabeça, e a perguntar-te no que tudo isto tem a ver com o mundo empresarial. Bom, prometo que tem. Por agora deixa-me dar-te alguns exemplos de jogos finitos e infinitos para que tenhas uma ideia mais clara do que se trata.

Imagina um jogo de futebol, uma corrida de automóveis ou um simples jogo de dominó, todos estes são jogos finitos. Em todos eles existem regras, existe uma duração definida e existe sempre um vencedor. Quanto a jogos infinitos, podemos estar a falar por exemplo de toda a evolução da espécie humana, onde o principal objetivo é perpetuarmo-nos no tempo, o melhor adaptados possível ao nosso meio ambiente. Se pensares bem, não existem regras e não existe um vencedor, apenas interessa que a espécie humana perdure no tempo.

 

Se refletirmos na realidade atual da grande maioria das nossas empresas, qual achas que é o jogo onde elas se inserem?

 

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Arrisco-me a dizer que a grande maioria está inserida na categoria de jogos finitos. No mundo capitalista em que vivemos, existe uma pressão desmesurada por resultados cada vez mais elevados, ano após ano, com o objetivo de ser melhor que concorrência e de ser considerada a melhor empresa. É comum existir uma comparação entre empresas de uma forma quase cega. Chegamos ao cúmulo de ver casos de empresas que copiam os produtos ou serviços dos seus concorrentes (mesmo com os seus defeitos), descurando completamente aquilo que os seus clientes querem ou desejam. Toda esta pressão leva a que os executivos pensem mais no curto prazo, já que os resultados têm que aparecer rápido, sob pena dos seus acionistas ficarem insatisfeitos. 

 

O grande problema é que quando as empresas estão ocupadas a copiar, desperdiçam investimento que poderia ser melhor utilizado em produtos/serviços inovadores ou em novos modelos de negócio mais adaptados ao século XXI. Dando o exemplo que mais pessoas conhecem, a Apple nunca teria chegado a número 1 em smartphones se estivesse somente focada em copiar o que a Nokia fazia.

É por isso que considero que as empresas deveriam estar a jogar um jogo infinito, ou seja, com o objetivo de se perpetuar no tempo durante a máxima duração possível. Se o foco mudar dos resultados agressivos e do foco constante nos concorrentes para os clientes, a empresa estará realmente a construir algo valioso que lhe permitirá sobreviver ao futuro.

 

A partir do momento em que existe essa mudança de paradigma, a empresa começa a prestar mais atenção à sua estratégia de médio/longo prazo e não apenas ao que vê à vista desarmada. O curto prazo é muito importante, já que é o motor para a capacidade de execução da empresa, mas o médio/longo prazo é onde está o futuro da empresa, e se não olhar para isso, arrisca-se a ser mais uma empresa que faliu. A história está cheia de impérios que pereceram e não tiveram capacidade para se reinventar. Apenas as empresas que percebem que têm que começar a construir o futuro a partir de hoje podem ambicionar a perdurar no tempo. As empresas têm que perceber que durante uns anos estão melhor que os concorrentes, e noutros anos pior, mas o que interessa é continuar a jogar, ou seja, ter os recursos (normalmente financeiros) para continuar em jogo.

 

E a tua empresa? Está a jogar o jogo finito ou infinito?

 

Por hoje é tudo, espero que tenhas gostado, até à próxima 

 

10
Jun19

Como ser uma pessoa mais criativa?

Luís Rito

Olá a todos 

 

Hoje quero falar-vos um pouco sobre criatividade. Apesar de existir uma grande crença que uma pessoa ou nasce com a veia da criatividade afinada ou nunca vai ser criativo, acredito que esta pode ser treinada (como quase tudo). Hoje, quero falar-vos de uma técnica utilizada pelo James Altucher. Para quem não o conhece, é um gestor de fundos, empresário, autor de vários livros e também um podcaster.

 

É portanto uma pessoa de muito sucesso, que atribui parte desse sucesso a uma pequena técnica que executa todos os dias. Esta técnica consiste em escrever 10 ideias todos os dias. Se tiveres curiosidade, dá uma vista de olhos no artigo original aqui.

 

Basicamente, deves escolher um tema, qualquer um, e escrever 10 ideias sobre esse mesmo tema (esquece o computador, faz em papel e caneta). Por exemplo, 10 coisas que aprendi ontem, ou 10 negócios que poderia abrir. A chave aqui é escreveres pelo menos 10 ideias (se conseguires mais força). Diria que as primeira 5 ou 6 ideias vão ser fáceis, mas a partir daí as coisas começam a ficar mais interessantes, porque vais ter que ser mais criativo. O segredo é fazeres este exercício todos os dias, incluindo os fins de semana! Tens que tornar desta prática um hábito, só assim vai funcionar.

 

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Se tiveres dificuldade em chegar às 10 ideias, tenta não te levares demasiado a sério. Tal como nos brainstormings que eventualmente fazes na tua empresa, não existem ideias ridículas. Deves registar todas aquelas que te recordes, já que o que interessa é vencer a inércia e pôr a tua cabeça em modo criativo.

 

Dou-te abaixo 10 exemplos para te poderes inspirar:

 

  • 10 ideias de como me posso melhorar enquanto pessoa
  • 10 ideias de sítios onde gostaria de passar férias
  • 10 ideias de atividades que posso fazer com a namorada ou filhos
  • 10 ideias de como o meu projeto poderá falhar
  • 10 ideias de como o meu projeto poderá ser bem sucedido
  • 10 ideias de livros que poderia escrever
  • 10 ideias de negócios que poderia iniciar
  • 10 ideias de como posso ganhar tempo no meu dia a dia
  • 10 ideias de como posso poupar mais dinheiro todos os meses
  • 10 ideias de temas para encontrar ideias todos os dias

 

Pessoalmente gosto de fazer este exercício pela manhã, enquanto tomo o pequeno-almoço, mas se fores uma pessoa mais enérgica ao final do dia então força, faz o exercício pela tarde ou noite. Lembra-te, para que funcione deves ser muito consistente e fazê-lo todos os dias. Deves também garantir que escreves sempre 10 ideias. Não te vou mentir, o teu rácio de boas ideias vs más ideias vai ser mau. É perfeitamente normal que tenhas mais más ideias que boas, mas não é esse o propósito do exercício. O James Altucher afirma que o rácio dele é de 1000:1, ou seja, tem talvez uma boa ideia em 1000. A beleza disso é que se fizeres este exercício todos os dias, por ano vais ter cerca de 3650 novas ideias, portanto é provável que chegues a 3 boas ideias por ano, já para não falar do treino com que ficas na geração de ideias. Vais-te tornar numa pessoa mais criativa.

 

Finalmente, sempre que chegares à conclusão que tiveste uma boa ideia, tenta pô-la em ação. Acredito que a tua vida pode mudar com este simples hábito.

 

Até à próxima 

 

13
Mar19

Guiar a inovação

Luís Rito

Inovar é considerado por muitos como uma forma de criar novos produtos e serviços. Durante alguns anos foi essa a definição de inovação mais conhecida pelo público em geral. Contudo, inovar é mais que lançar um novo produto para o mercado, ou redefinir um serviço de uma forma diferente. A inovação já não é unicamente da responsabilidade dos departamentos de I&D, mas sim de toda a organização e meio envolvente relevante.

 

Assim, é normal que a definição de como inovar tenha evoluído. É certo que a inovação ligada ao desenvolvimento de novos produtos e serviços continua a ser relevante e importante, contudo é possível inovar também ao nível dos processos, mercados e modelo de negócio.

 

Inovar em produtos e serviços


Uma das formas mais tradicionais de inovar é em produtos e serviços. Lançar um novo modelo automóvel após alterar o seu design, ou um novo modelo de computador com um processador mais rápido são formas de inovar ao nível do produto. Já a inovação ligada ao serviço, pressupõe que existe algum tipo de incremento de valor ao nível dos serviços que a empresa oferece. Por exemplo, a forma como os serviços de televisão nos oferecem a possibilidade de ver programas do passado, isto é que já foram transmitidos, resulta numa grande inovação relativamente ao serviço que anteriormente existia. Desta forma o utilizador tem total controlo sobre o que deseja ver e quando quer ver. A maioria das empresas realiza este tipo de inovação com muita regularidade e de forma incremental.

 

Inovar em processos


Inovar ao nível de processos é uma boa forma de conseguir aumentar a produtividade ou reduzir os custos. Um exemplo perfeito de inovação ao nível de processos é o Walmart. É considerada uma das maiores empresas de retalho do mundo, com 11000 lojas espalhadas em 28 países. Durante vários anos o Walmart tem executado um conjunto de inovações ao nível dos seus processos, com o grande objetivo de aumentar a eficiência e reduzir os seus custos. O Walmart consegue criar previsibilidade na procura dos seus produtos, garantindo que estes se encontram no lugar certo, à hora certa, na quantidade certa e com o menor custo possível. Ao utilizar de uma forma intensiva as tecnologias de informação o Walmart consegue uma maior integração entre o fornecedor e cliente, permitindo assim grandes trocas de informação e redução de risco ao nível da tomada de decisão. Este processo foi continuamente aperfeiçoado via centenas de inovações que foram sendo implementadas ao longo dos anos.

 

Inovar em mercados


Inovar ao nível do mercado pode ser feito de várias formas. Alguns exempos são, inovar ao nível da marca, ao nível do Customer Experience, ou por exemplo satisfazer novas necessidades com os produtos que a empresa já dispõe.

 

Ao nível da marca, tudo se resume à forma como a empresa transmite o benefício que oferece aos seus clientes. A Nike fez um excelente trabalho nesse sentido quando decidiu reposicionar a sua marca para o mercado feminino. Com esta inovação ao nível da marca, a Nike conseguiu aumentar em muito as suas receitas, sendo ao mesmo tempo percepcionada como uma marca para todos os desportistas, homens e mulheres.

 

Inovar ao nível do Customer Experience, resume-se a criar uma experiência o mais completa possível para os seus clientes. Um exemplo perfeito foi o que a Lego fez a um menino. Luka, de 7 anos de idade, gastou todo o seu dinheiro ao comprar um “Ninjago” da Lego (boneco especial). Contra a vontade do seu pai, Luka levou o boneco numa ida ao supermercado, e caiu do seu casaco, perdendo-o para sempre. Luka decidiu enviar uma carta para a Lego a explicar a sua história, e a prometer que se tivesse outro boneco nunca mais o levaria para as compras, jurando protegê-lo todos os dias. A resposta da Lego foi criativa e fascinante, não só lhe deram um novo boneco como responderam impersonando uma figura “Ninjago” (Sensei Wu), dizendo ainda:

 

“Just remember, what Sensei Wu said: keep your minifigures protected like the Weapons of Spinjitzu! And of course, always listen to your dad”.

 

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Quanto a satisfazer novas necessidades com os produtos atuais, um bom exemplo é o caso da Nintendo, que em tempos com a sua Wii fitness conseguiu através de um produto já existente satisfazer necessidades de um conjunto de indivíduos que se interessam em manter uma boa forma física, ao mesmo tempo que se preocupam com a sua saúde.

 

Inovar em modelo de negócio


Inovar ao nível do modelo de negócio pode ser uma forma muito proveitosa de conseguir resultados nunca antes obtidos pela empresa. A forma como a Google começou a disponibilizar muitos dos seus serviços e produtos de uma forma completamente gratuita, agitou por completo o mercado. Hoje em dia é normal uma empresa não cobrar nada pelo seu produto, mas em contrapartida conseguir gerar resultados através de serviços. Também é possível inovar ao nível do canal, isto é, como ligar a oferta com os clientes. A Amazon fez um trabalho brilhante ao possibilitar ao cliente o acesso a um número quase ilimitado de livros através do conforto do seu lar. De uma forma semelhante, a Dell ao contrário da sua concorrência, permitiu aos seus clientes configurar cada um dos componentes do seu futuro PC, tudo isto a um preço mais baixo, devido à excelente gestão de stocks que a empresa dispunha (just-in-time).

 

Conclusões

 

A inovação já não é algo específico do departamento de I&D, e já não se trata apenas de criar novos produtos & serviços. As empresas podem inovar de múltiplas formas, sendo que estar suficientemente atento ao que os seus clientes pretendem é uma das melhores formas de direcionar a inovação para o lugar certo. É possível inovar ao nível dos produtos, serviços, processos, modelo de negócio e mercados. Resta à empresa perceber quanto da sua inovação deve direcionar para cada um destes quadrantes.

 

Nos dias que correm não existe opção, ou se inova ou se é ultrapassado pela concorrência, e todas as empresas têm pontos onde podem melhorar. Resta fazer acontecer!

 

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