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O Gestor de Projeto Moderno

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31
Mar19

Qual o teu mindset?

Luís Rito

Hoje quero falar-te sobre um tema que vai certamente dividir opiniões.

Vou falar-te de Growth Mindset e de Fixed Mindset.

 

Se ainda não ouviste falar sobre nada disto, ter uma Fixed Mindset significa que acreditamos que a nossa inteligência já nos foi "atribuída" quando nascemos. Tipicamente, pessoas com este tipo de mindset acreditam muito no talento, ou seja, é normal ouvirmos da sua boca que se um indivíduo alcançou muito sucesso na sua carreira profissional, provavelmente "nasceu para aquilo". Este tipo de pessoas normalmente tenta parecer muito inteligente em grupo, pois como acredita que cada um nasce com uma inteligência pré-definida, abomina que outros pensem que se trata de uma pessoa limitada.

 

Em contraste, uma pessoa com uma Growth Mindset acredita que pode aprender o que quer que seja, necessitando para isso de investir trabalho e esforço diário. Este tipo de pessoas não necessita de se mostrar inteligente perto dos outros, já que, sabe o seu valor e percebe também que embora não domine um tema, é uma questão de tempo até o fazer.

 

Feita esta pequena introdução, pessoalmente identifico-me como uma pessoa com Growth Mindset. Nem sempre fui assim, muitas vezes dei por mim a desistir de temas que não compreendia ou que achava difíceis. Nessa altura acreditava muito no talento ou em capacidade inatas. Hoje apercebo-me que não insisti suficientemente nesses temas, acabei por desistir ao deparar-me com as primeiras dificuldades. De à uns anos para cá mudei radicalmente a minha forma de pensar, e meti na cabeça que poderia alcançar tudo o que me predispusesse a aprender. Desde esse dia que posso afirmar que a minha vida mudou de forma radical, já que passei a assumir os fracassos como culpa minha. Se fui incapaz de passar num exame importante, a culpa não é da minha fraca inteligência nos temas apresentados no exame, apenas não investi o tempo necessário no seu estudo.

 

Não digo que somos todos iguais, na realidade existem coisas que nos fascinam mais que outras, mas isso nada tem a ver com talento. Significa apenas que nunca vamos ser fantásticos em algo que gostamos menos, já que não vamos conseguir investir centenas de horas na sua prática.

 

Recomendo-te dois livros onde podes ler mais sobre este tema, um deles do Matthew Syed, de nome Bounce: The Myth of talent and the power of practice e outro do Malcolm Gladwell chamado Outliers. Em ambos os livros os autores explicam em detalhe que o talento não passa de muitas horas de treino focado e direcionado, bem como do contexto onde nos encontramos.

 

Por exemplo, no livro de Matthew Syed, o autor fala de como numa única rua de uma cidade nasceram tantos campeões de ténis de mesa. Qual a probabilidade de teres vários campeões numa única cidade? Na realidade, nada tem a ver com talento, mas sim de existir um clube onde algumas pessoas se juntavam diariamente para jogar ténis de mesa durante várias horas. Dia após dia, ano após ano, todos eles foram ficando cada vez melhores, e por estarem todos ao mesmo nível incentivou-os a melhorar sempre um pouco mais para que pudessem vencer os seus adversários. Um dia quando se aperceberam eram uns dos melhores do mundo. Tratou-se nada mais nada menos que um contexto desafiante e prática diária durante vários anos.

 

Dou outro exemplo, quando em Silicon Valley de repente apareceram tantas startups inovadoras a nível tecnológico, pergunto, estariam todas as grandes mentes dos EUA em Silicon Valley? Claro que não. É mais um caso onde o contexto onde as pessoas estão inseridas as ajuda a florescer e a ambicionar por mais. Se o teu grupo de amigos é composto por 99% de pessoas empreendedoras, arrisco-me a dizer que mais dia menos dia te vais transformar também em um empreendedor.

 

Nunca penses que tens menos inteligência que alguém. Se queres ser melhor a fazer algo, identifica esse gap no teu conhecimento e traça um plano para diminuíres esse gap através de horas de prática bem direcionada. Quando o gap for inexistente, traça um novo objetivo e começa de novo. Ao preencheres pequenos gaps uma e outra vez, estás a tornar-te cada vez melhor e prometo que um dia te vais tornar um dos melhores.

 

crescimento_espiritual.jpg

 

Quando te falo em treino bem direcionado, refiro-me ao facto de te teres de colocar um pouco fora da tua zona de conforto e ires tentando alcançar o teu objetivo, sempre sem medo de falhar, já que uma pessoa com Growth mindset sabe que os falhanços são oportunidades fantásticas para aprender. Se com cada falha aprendermos algo, estamos a tornar-nos mais fortes, como um músculo após uma sessão árdua de treino no ginásio. Só depois de destruído o músculo cresce mais forte.

 

Este crescimento é sempre desconfortável. Ainda te lembras quando aprendeste a conduzir? Aposto que tinhas que pensar mil vezes sobre tudo o que tinhas que fazer em simultâneo. Colocar a embraiagem a fundo, com o pé esquerdo e manter o pé direito no travão para o carro não descair numa subida. Ao mesmo tempo com a mão direita colocas uma mudança e com a esquerda pegas no volante. Com tanta coisa até de esqueces que devias estar a olhar para o espelho retrovisor, não vá estar um carro colado a ti e se te descuidas bates nele. Aposto que durante tudo isto o teu cérebro estava a trabalhar furiosamente para conjugar todas estas ações. Com a prática, hoje em dia fazes tudo isso e nem precisas de pensar, muitas vezes damos por nós em "piloto automático" nas deslocações casa-trabalho e trabalho-casa.
Isto acontece porque te colocaste no desconforto de aprender algo novo, e praticaste até um nível onde executas sem pensar, estás a utilizar as centenas de horas de treino que já investiste na prática de conduzir um carro.

 

Se conseguires vencer esta parte desconfortável que é aprender algo novo, e fores consistente e perseverante, vais conseguir o tão ambicionado crescimento. Não existe nada que não consigas fazer, desde que queiras 🙂.

 

Por hoje é tudo e até à próxima!

 

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