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O Gestor de Projeto Moderno

O Gestor de Projeto Moderno

27
Out19

Gestão de conflitos na gestão de projetos

Luís Rito

Olá !

 

Hoje vamos falar de um tema muito importante. Em todas as organizações, e consequentemente em todos os projetos, existem conflitos. É algo normal, e deve até ser encarado como saudável. Uma equipa que não tem conflitos não se encontra a trabalhar na sua capacidade máxima, já que pode significar que as pessoas não se encontram a comunicar eficazmente, ou pior, que não querem saber do seu trabalho e dos seus projetos. Alguém que não se interessa tem uma maior capacidade em ignorar por completo os conflitos normais do dia-a-dia. O mesmo acontece em pessoas com alguma aversão a conflitos, talvez devido a traços de personalidade mais introvertidos. O conflito normalmente obriga a uma troca de ideias entre dois ou mais elementos da equipa, o que por vezes vai originar uma conjugação de ideais que levam a uma melhor solução do ponto de vista global.

 

Feita esta pequena introdução, passemos à mensagem que te quero transmitir. Abaixo listo-te 5 técnicas de gestão de conflitos. Acredito que muitas delas (ou mesmo todas) já as utilizaste. Também acredito que devido à tua personalidade utilizes mais umas que outras. As técnicas são:

 

Evitar

 

Como o nome indica, neste caso a estratégia passa por evitar ou adiar o conflito. Pode ser uma excelente técnica quando necessitas de te preparar melhor para o conflito, ou quando achas que pode ser resolvido por outros. Ao evitar também te dá mais tempo para pensar melhor sobre a perspetiva da outra pessoa. Deixo apenas um alerta, se evitas um conflito para te preparares melhor para ele no futuro, então certifica-te que fazes isso mesmo, caso contrário o adiamento não será de todo proveitoso. Corres ainda o risco de ao adiar um conflito o ir tornando cada vez pior.

 

Acomodar

 

Acomodar um conflito significa focar em áreas em que existe acordo ao invés de áreas em que existe desacordo. Isto significa que nesta estratégia de conflito uma das partes cede a sua posição em benefício da outra parte. Com este tipo de técnica normalmente opta-se por favorecer a relação profissional ao invés de a fragilizar com conflitos. Assim, não deve existir foco nos pontos em que existe desacordo, a parte que acomoda tenta encontrar pontos de acordo entre ambas as partes para resolver o conflito (embora tenha que ceder na sua posição). Técnica muito utilizada quando a parte que acomoda quer manter a paz na equipa, quando sabe que não tem alternativa senão aceitar a outra parte ou quando num projeto de longa duração se opta por ceder num ponto para mais à frente ganhar noutro. Por exemplo, podes optar por acondicionar um novo desenvolvimento no teu projeto (desde que seja pequeno), para mais à frente dizer que já não te é possível realizar outro porque já esticaste o calendário.

 

Compromisso

 

Ao obter um compromisso, ambas as partes ganham, mas também têm que ceder em algo. Alguns conflitos não têm uma solução win-win, ou seja, em que todas as condições de todas as partes são completamente resolvidas ou cumpridas. Nestes casos usam-se técnicas de negociação para que ambas as partes ganhem, tendo cada uma delas que ceder em algumas condições iniciais. Para que esta técnica funcione, ambas as partes têm que saber o que a outra pretende. A dificuldade é que muitas vezes a real necessidade está camuflada, e quem negoceia nunca chega a entender o real interesse. Por exemplo, imagina um profissional que tem férias marcadas para a próxima semana. O gestor de um projeto propõe adiantar um bloco do projeto para a próxima semana a fim de recuperar calendário, e tenta negociar com a equipa a melhor forma de o fazer. Neste caso pode acontecer que o profissional que tem férias, tente boicotar o avanço do bloco do projeto, argumentando por exemplo que trás muito risco, quando na realidade o seu real interesse é ir de férias. Deve-se tentar sempre perceber qual a real necessidade para que se consiga resolver um conflito.

 

Forçar

 

Como o nome indica, a estratégia de forçar impõe fazer valer a sua vontade acima da dos outros. Normalmente só é possível quando realizada por alguém com hierarquia superior dentro da organização. Neste tipo de técnica, normalmente acontecem situações win-lose, já que uma parte sai claramente beneficiada em relação à outra. Pode ser muito útil em alguns tipos de situação, como por exemplo no meio de uma crise onde decisões rápidas têm que ser tomadas. Outro bom exemplo é quando determinadas ações têm que acontecer, como por exemplo manter regras de segurança no trabalho. Ainda que um operário argumente e justifique o porquê de não querer utilizar um capacete enquanto trabalha, o seu chefe pode forçá-lo a fazê-lo, dado que se trata de uma obrigatoriedade. Convém só dizer que com esta estratégia, existe uma maior possibilidade de vires a ter colaboradores zangados e pouco satisfeitos.

 

Gato chateado

 

Colaborar

 

A típica situação win-win. Neste tipo de estratégia ambas as partes estão recetivas a colaborar e a chegar a um consenso e compromisso. Por existir esta predisposição, normalmente o diálogo é algo normal, tentando-se obter e concretizar as condições de todas as partes. Para que isto aconteça, a equipa deve já ter um nível de confiança alto e devem ser aplicadas técnicas que estimulem a criatividade. Todos sabemos que por vezes os problemas e conflitos aparentam não ter solução, mas na realidade a grande maioria tem, bastando para isso pensar um pouco enquanto equipa. Esta técnica é a minha preferida, pois de uma discussão construtiva podem surgir melhorias ou soluções às quais nunca iríamos chegar sozinhos.

 

Agora que já conheces as 5 técnicas, com quais delas te identificas mais?

 

Até à próxima 

 

 

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