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O Gestor de Projeto Moderno

O Gestor de Projeto Moderno

27
Out19

Gestão de conflitos na gestão de projetos

Luís Rito

Olá !

 

Hoje vamos falar de um tema muito importante. Em todas as organizações, e consequentemente em todos os projetos, existem conflitos. É algo normal, e deve até ser encarado como saudável. Uma equipa que não tem conflitos não se encontra a trabalhar na sua capacidade máxima, já que pode significar que as pessoas não se encontram a comunicar eficazmente, ou pior, que não querem saber do seu trabalho e dos seus projetos. Alguém que não se interessa tem uma maior capacidade em ignorar por completo os conflitos normais do dia-a-dia. O mesmo acontece em pessoas com alguma aversão a conflitos, talvez devido a traços de personalidade mais introvertidos. O conflito normalmente obriga a uma troca de ideias entre dois ou mais elementos da equipa, o que por vezes vai originar uma conjugação de ideais que levam a uma melhor solução do ponto de vista global.

 

Feita esta pequena introdução, passemos à mensagem que te quero transmitir. Abaixo listo-te 5 técnicas de gestão de conflitos. Acredito que muitas delas (ou mesmo todas) já as utilizaste. Também acredito que devido à tua personalidade utilizes mais umas que outras. As técnicas são:

 

Evitar

 

Como o nome indica, neste caso a estratégia passa por evitar ou adiar o conflito. Pode ser uma excelente técnica quando necessitas de te preparar melhor para o conflito, ou quando achas que pode ser resolvido por outros. Ao evitar também te dá mais tempo para pensar melhor sobre a perspetiva da outra pessoa. Deixo apenas um alerta, se evitas um conflito para te preparares melhor para ele no futuro, então certifica-te que fazes isso mesmo, caso contrário o adiamento não será de todo proveitoso. Corres ainda o risco de ao adiar um conflito o ir tornando cada vez pior.

 

Acomodar

 

Acomodar um conflito significa focar em áreas em que existe acordo ao invés de áreas em que existe desacordo. Isto significa que nesta estratégia de conflito uma das partes cede a sua posição em benefício da outra parte. Com este tipo de técnica normalmente opta-se por favorecer a relação profissional ao invés de a fragilizar com conflitos. Assim, não deve existir foco nos pontos em que existe desacordo, a parte que acomoda tenta encontrar pontos de acordo entre ambas as partes para resolver o conflito (embora tenha que ceder na sua posição). Técnica muito utilizada quando a parte que acomoda quer manter a paz na equipa, quando sabe que não tem alternativa senão aceitar a outra parte ou quando num projeto de longa duração se opta por ceder num ponto para mais à frente ganhar noutro. Por exemplo, podes optar por acondicionar um novo desenvolvimento no teu projeto (desde que seja pequeno), para mais à frente dizer que já não te é possível realizar outro porque já esticaste o calendário.

 

Compromisso

 

Ao obter um compromisso, ambas as partes ganham, mas também têm que ceder em algo. Alguns conflitos não têm uma solução win-win, ou seja, em que todas as condições de todas as partes são completamente resolvidas ou cumpridas. Nestes casos usam-se técnicas de negociação para que ambas as partes ganhem, tendo cada uma delas que ceder em algumas condições iniciais. Para que esta técnica funcione, ambas as partes têm que saber o que a outra pretende. A dificuldade é que muitas vezes a real necessidade está camuflada, e quem negoceia nunca chega a entender o real interesse. Por exemplo, imagina um profissional que tem férias marcadas para a próxima semana. O gestor de um projeto propõe adiantar um bloco do projeto para a próxima semana a fim de recuperar calendário, e tenta negociar com a equipa a melhor forma de o fazer. Neste caso pode acontecer que o profissional que tem férias, tente boicotar o avanço do bloco do projeto, argumentando por exemplo que trás muito risco, quando na realidade o seu real interesse é ir de férias. Deve-se tentar sempre perceber qual a real necessidade para que se consiga resolver um conflito.

 

Forçar

 

Como o nome indica, a estratégia de forçar impõe fazer valer a sua vontade acima da dos outros. Normalmente só é possível quando realizada por alguém com hierarquia superior dentro da organização. Neste tipo de técnica, normalmente acontecem situações win-lose, já que uma parte sai claramente beneficiada em relação à outra. Pode ser muito útil em alguns tipos de situação, como por exemplo no meio de uma crise onde decisões rápidas têm que ser tomadas. Outro bom exemplo é quando determinadas ações têm que acontecer, como por exemplo manter regras de segurança no trabalho. Ainda que um operário argumente e justifique o porquê de não querer utilizar um capacete enquanto trabalha, o seu chefe pode forçá-lo a fazê-lo, dado que se trata de uma obrigatoriedade. Convém só dizer que com esta estratégia, existe uma maior possibilidade de vires a ter colaboradores zangados e pouco satisfeitos.

 

Gato chateado

 

Colaborar

 

A típica situação win-win. Neste tipo de estratégia ambas as partes estão recetivas a colaborar e a chegar a um consenso e compromisso. Por existir esta predisposição, normalmente o diálogo é algo normal, tentando-se obter e concretizar as condições de todas as partes. Para que isto aconteça, a equipa deve já ter um nível de confiança alto e devem ser aplicadas técnicas que estimulem a criatividade. Todos sabemos que por vezes os problemas e conflitos aparentam não ter solução, mas na realidade a grande maioria tem, bastando para isso pensar um pouco enquanto equipa. Esta técnica é a minha preferida, pois de uma discussão construtiva podem surgir melhorias ou soluções às quais nunca iríamos chegar sozinhos.

 

Agora que já conheces as 5 técnicas, com quais delas te identificas mais?

 

Até à próxima 

 

 

20
Out19

12 formas de fornecer valor

Luís Rito

Olá !

 

No último post falámos sobre 5 procesos básicos na criação de uma startup (dá uma vista de olhos aqui). O primeiro processo que abordámos foi a criação de valor, e hoje quero falar-te um pouco das diferentes formas que existem para o fazer. Vamos abordar 12 possibilidades de criares valor, e quem sabe até consigas tirar alguma ideia para algo que estejas a pensar realizar. Sem mais demoras, vê abaixo quais são.

 

Produto

 

Uma das formas mais tradicionais de criar valor. Quase tudo o que temos nas nossas casas são produtos, a TV, a torradeira, o sofá, o computador, os livros, etc. Estes são muito vantajosos porque após construíres um produto, o esforço de o replicar é muito baixo. É por isso que nos produtos o efeito de escala se verifica. Por exemplo, um produto construído para ser vendido através da internet tem um esforço inicial grande, mas depois pode ser vendido milhares de vezes.

Do ponto de vista de uma empresa, para manter um produto necessitas de assegurar o seguinte:

 

1. Criar um artigo tangível que os outros desejem;

2. Produzir esse mesmo artigo da forma mais económica possível, mantendo sempre a qualidade desejada;

3. Vender o maior número de unidades desse mesmo artigo pelo máximo preço que o mercado esteja disposto a pagar;

4. Manter stock suficiente desse artigo que permita fazer face às encomendas que vão chegando.

 

Serviço

 

Tirando os produtos, os serviços são também das formas mais utilizadas de fornecimento de valor. Vemos serviços em todo o lado, desde consultoria, limpezas ou cortes de cabelo, até serviços mais recentes como passear cães.

Para que possas ter uma empresa baseada em serviços necessitas de assegurar o seguinte:

 

1. Dispor de pessoas que tenham uma competência ou capacidade que outros necessitem, seja por não o quererem fazer seja por não terem competência para o fazer. Quanto mais rara for essa competência mais vais conseguir cobrar pelo serviço;

2. Assegurar que o serviço é prestado com o máximo de qualidade;

3. Atrair e manter clientes pagantes.

 

Recurso Partilhado

 

Um recurso partilhado é um bem durável e utilizável por muitas pessoas. Bons exemplos são as passadeiras ou bicicletas que vês nos ginásios, ou as trotinetes que vês em todo o lado por Lisboa. Foram adquiridos uma única vez para serem utilizados múltiplas vezes, permitindo encaixar receita sempre que são usados. O desafio aqui passa por teres o número ideal de utilizadores, já que poucos utilizadores não te vão permitir manter e melhorar o recurso, e muitos utilizadores podem levar a uma queda de qualidade e posterior descontentamento de quem o utiliza.

Para teres um recursos partilhado eficaz necessitas do seguinte:

 

1. Criar ou adquirir um bem a que outros queiram ter acesso;

2. Servir o maior número de utilizadores possível, sem que isso afete a qualidade da experiência deles;

3. Cobrar um valor que permita manter e melhorar o recurso partilhado.

 

Subscrição

 

Muito em voga nos dias que correm, cada vez vemos mais criação de valor via subscrição. Exemplos como o Netflix ou Spotify são bons exemplos disso. Pressupõe-se então que o utilizador está disposto a pagar um valor de forma periódica a troco de benefícios que este valoriza. A subscrição é uma das formas de criação de valor mais atrativas, já que sabes com exatidão o rendimento mensal que vais auferir. Ao invés de teres de estar de forma constante a tentar vender aos teus clientes, podes concentrar-te em fidelizar e manter os atuais.

Para que consigas criar um modelo de subscrição bem sucedido necessitas de:

 

1. Fornecer valor a cada subscritor de forma regular;

2. Construir uma base de subscritores e atrair continuamente novos, já que neste tipo de criação de valor é normal existir a erosão de subscritores ao longo do tempo;

3. Cobrar de forma periódica aos clientes;

4. Manter os subscritores pagantes pelo período máximo de tempo possível.

 

Revenda

 

Neste caso, trata-se basicamente de comprar barato e vender caro. A revenda é a aquisição de um bem a um grossista (normalmente em grandes quantidades), seguida da sua venda, por um preço superior, permitindo encaixar a margem. Um bom exemplo é a Sonae, que compra produtos a produtores (frutas, legumes, etc), para os vender nos seus supermercados a preços mais elevados. A diferença entre o valor a que vende pelo valor a que compra é a sua margem. Os produtores acabam também por ganhar com isto porque não necessitam de se estar a preocupar com a venda de milhões de unidades dos seus produtos a diversos clientes. Ao vender a um único retalhista permite-lhes focar naquilo que fazem bem, produzir com qualidade.

Para teres sucesso com revenda, deves ter em atenção o seguinte:

 

1. Adquirir produtos de forma o menos dispendiosa possível (por exemplo em grandes quantidades);

2. Conservar o produto em boas condições até ao momento da venda, já que se não estiver não poderá ser vendido;

3. Encontrar compradores o mais rápido possível, já que ter muito produto em stock faz disparar os custos de armazenamento;

4. Vender o produto com uma margem de lucro o mais alta possível.

 

Criar valor

 

Aluguer

 

Um aluguer consiste na obtenção de um bem que posteriormente será cedido a alguém durante um período de tempo, em troca de uma renumeração. Voltando uns anos atrás, quando te dirigias a um vídeoclube e trazias um filme para ver em troca de dinheiro, estavas a fazer um aluguer. O mesmo acontece com casas e carros, podes pagar uma renda mensal em troca da utilização de determinado imóvel ou automóvel. O aluguer normalmente permite a pessoas usufruirem de algo que seria mais dispendioso tê-lo se o comprassem. Por exemplo, comprar um novo Mercedes é muito dispendioso, mas podes optar por fazer um leasing ou renting durante um ano e utilizar diariamente esse mesmo automóvel. Existe algo muito importante, deves sempre garantir que o que vais cobrar pelo aluguer permitirá cobrir na totalidade o custo do bem antes deste se deteriorizar ou perder (caso contrário ao invés de criar valor estás a destruir valor).

Um aluguer de sucesso depende do seguinte:

 

1. Adquirir um bem que outros estejam dispostos a utilizar;

2. Alugá-lo a clientes pagantes, sempre salvaguardando esse mesmo bem;

3. Proteger-se de ocorrências inesperadas, incluindo a perda ou deteriorização do bem alugado.

 

Agenciamento

 

O agenciamento passa pela realização de tarefas de marketing e comercialização de um bem que não se possui. Ao invés de seres tu a produzir valor, associas-te a alguém que tem valor para oferecer, trabalhando no sentido de encontrar um comprador. Em troca disso recebe-se uma comissão ou honorário. Um exemplo de agenciamento é o que acontece por exemplo com agentes imobiliários. Estes não possuem o bem (o imóvel), apenas atuam como uma ponte entre o vendedor e os compradores. Um bom agente permitirá a um vendedor aumentar em muito a sua taxa de sucesso numa venda, já que normalmente têm contactos e toda uma rede disponível que os apoia.

Para um agenciamento de sucesso necessitas:

 

1. Encontrar um vendedor que tenha um bem valioso;

2. Estabelecer contacto e confiança com potenciais compradores;

3. Negociar com compradores de forma a chegar a um acordo relativamente aos termos de venda;

4. Cobrar ao vendedor os honorários ou comissão previamente acordada.

 

Agregação de Grupo-Alvo

 

A agregação de grupo-alvo implica ter a capacidade de juntar um grupo de pessoas com interesses comuns, tentando depois vender a terceiros o acesso a esse grupo. Parece mais difícil do que é, mas vê o caso de um influencer do Instagram. Imagina alguém que adora desporto e partilha diariamente fotos e conselhos para seguir um estilo de vida saudável. O seu grande objetivo vai passar por ter um número grande de seguidores que se preocupam exatamente com um estilo de vida saudável. Depois de ter um número de seguidores alto, empresas que tenham produtos ou serviços relacionados com estilo de vida saudável poderão pagar ao influencer para ter acesso aos seus seguidores, expondo-os a publicidade que os leve a comprar os seus produtos.

Neste tipo de criação de valor deves assegurar o seguinte:

 

1. Identificar um grupo de pessoas com interesses comuns;

2. Criar e manter forma de atrair de modo consistente a atenção desse grupo;

3. Encontrar terceiros interessados em captar a atenção desse público;

4. Vender o acesso a esse público, tendo sempre o cuidado de não o alienar.

 

Empréstimo

 

Todos nós conhecemos os empréstimos. Muitos têm empréstimos que lhes permitem comprar casas ou um carros, que de outra forma não lhes seria possível possuir. Na prática um empréstimo é a capacidade de emprestar dinheiro a alguém, sendo este devolvido numa base regular, acrescido de uma taxa de juro. Todos os bancos o fazem, sendo uma das suas principais formas de gerar riqueza e lucro. O risco passa por desenvolver formas de se precaver para o caso de a pessoa a quem fez o empréstimo deixar de lhe pagar as mensalidades em dívida.

Para a realização de um empréstimo de sucesso vais necessitar:

 

1. Dispor de dinheiro para investir;

2. Encontrar alguém disposto a pedir esse dinheiro emprestado;

3. Cobrar uma taxa de juro que compense o empréstimo;

4. Proteger-se para a possibilidade do empréstimo não ser reembolsado. 

 

Opção

 

Uma opção implica realizar uma ação num período previamente estabelecido em troca de uma renumeração. Trocando isto por míudos, estás a pagar pelo direito de realizar algo no futuro, contudo tens sempre a escolha de não o fazer. Por exemplo, quando compras um bilhete para um festival de música, estás na realidade a comprar uma opção, ou seja, a comprar o direito de entrar no recindo do festival e ver o espetáculo. Podes sempre à última hora optar por não o fazer e perder o investimento realizado, daí ser uma opção. O mesmo acontece quando compras um bilhete para o cinema ou quando dás um sinal monetário sempre que tencionas arrendar um imóvel.

Quando pensares em opções, deves pensar no seguinte:

 

1. Identificar uma ação que algumas pessoas possam querer realizar no futuro;

2. Proporcionar aos potenciais compradores o direito a realizar essa ação antes de um determinado prazo (mediante pagamento);

3. Impor o limite do prazo para poder realizar a ação. 

 

Seguro

 

Um seguro permite transferir um risco do comprador para o vendedor. A grande maioria de nós tem um seguro automóvel, um seguro de saúde ou um seguro de vida. Na realidade, um seguro nada mais é que aceitar pagar um valor monetário para que o vendedor fique com o risco do lado dele. No caso de um seguro automóvel, se tiveres seguro contra todos os riscos e bateres com o teu carro, vais estar tranquilo porque já transferiste esse risco no passado. Será a seguradora a fazer face a todas as despesas. Por outro lado, a seguradora ao aceitar esse risco vai exigir da nossa parte pagamentos regulares.

Para conseguires criar valor com seguros deves assegurar o seguinte:

 

1. Criar um acordo legal que transfira o risco de determinada ocorrência negativa para ti;

2. Estimar o risco dessa ocorrência negativa ocorrer;

3. Cobrar a série de pagamentos acordada ao longo do tempo;

4. Pagar indemnizações legítimas caso o risco ocorra.

 

Capital

 

O capital representa a aquisição de uma quota de participação numa empresa. Se já ouviste falar dos Business Angels, sabes que são pessoas com muitos recursos que investem em negócios com potencial, recebendo em troca uma participação na empresa, esperando com isso que a empresa prospere e que o seu investimento seja totalmente reavido. Após atingir esse ponto, tudo o que vier é lucro. Se já viste o programa Shark Tank sabes bem do que se trata. Algumas pessoas levam uma ideia de negócio a grandes investidores e estes dizem se estão ou não interessados em investir em troca de uma participação na empresa.

A aquisição de ações de uma empresa também se pode considerar capital, já que se está a investir dinheiro em troca de uma pequena parte da empresa.

Para forneceres valor através de capital tens que:

 

1. Dispor de recursos para investir;

2. Encontrar um negócio promissor no qual estejas disposto a investir;

3. Realizar estimativa do valor atual da empresa, calcular o valor futuro, e avaliar possibilidade da empresa falir (resultando na perda total do investimento);

4. Negociar a quota de participação que vais receber em troca do capital que investires. 

 

Uff, é tudo, penso que com isto ficas com uma ideia geral de todas as formas que tens de criar valor. De todas estas, com quais te identificas mais?

 

Este foi inspirado no livro "O meu MBA" do Josh Kaufman.

 

Espero que tenhas gostado, até à próxima 

 

 

13
Out19

Os 5 processos básicos na criação de uma startup

Luís Rito

Olá !

 

Parece que nos dias de hoje todos anseiam por ser empreendedores. Ter o seu próprio negócio está mesmo na moda. Os motivos são vários, alguns procuram-no porque não se sentem realizados nos seus empregos atuais, outros acham que vão enriquecer, outros querem ter a liberdade de tomar as rédeas e ser responsáveis por todas as decisões e não terem que obedecer a hierarquias enquanto outros apenas anseiam por criar algo e deixar a sua marca na humanidade. Seja qual for o motivo, ao longo dos anos tenho falado com pessoas que querem muito criar um negócio, mas que não respeitam o mínimo dos mínimos que devem assegurar para colocar de pé uma empresa. Independentemente da empresa, seja ela grande ou pequena, deve seguir 5 processos básicos para assegurar a sua sobrevivência. Parece simplista mas na realidade creio que tudo se resume a 5 macroprocessos. Isto significa que se queres criar um negócio do zero, aconselho-te a olhar com muita atenção para os 5 processos que te descrevo abaixo.

 

Criação de valor

 

Este é o processo basilar. Apenas tens uma empresa se produzires algo de valor que o mercado queira comprar. Seja um produto ou um serviço, o teu objetivo deve ser encontrar uma necessidade e satisfazê-la. Podes optar por procurar uma necessidade nova ou tentar ganhar uma parcela num mercado já implantado. Sempre que exista concorrência, apenas vais conseguir vingar se o teu produto/serviço for melhor ou se cobrares um preço mais baixo. Muitas startups tecnológicas focam-se em nichos de mercado para construir o seu negócio. Temos ainda algumas empresas que conseguem criar novas necessidades, e sempre que isso acontece normalmente a empresa ganha uma boa vantagem competitiva inicial. Por exemplo a Tesla, optou por criar o seu carro eléctrico numa altura em que nenhuma empresa tinha essa tecnologia madura. Com isso conseguiu uma grande vantagem no que toca a tecnologia de baterias para automóvel. Se estás a dar os primeiros passos na criação de uma empresa, certifica-te que te encontras a produzir valor que o mercado procura.

 

Marketing

 

Pois é, não basta criar algo de valor, há que mostrar ao público-alvo que temos algo interessante que pode resolver os seus problemas. É aí que entra o processo número dois, o marketing. Já reparaste como um bom marketing faz toda a diferença? Como pode transformar um produto bom num produto excelente? Vê por exemplo o marketing que é feito pela Apple. Os seus produtos são verdadeiramente desejados por uma legião de pessoas, transformando-as em seguidoras fiéis que espalham a palavra acerca das maravilhas que é ter um produto da marca da maçã. Se estás portanto a construir uma startup, não descures o poder do marketing. Podes até ter algo de valor, mas se não chegas às pessoas a quem o queres vender não vais conseguir ter sucesso.

 

Vendas

 

Todas as empresas têm uma equipa comercial. São quem consegue transformar prospects em clientes pagantes, e a tua empresa não é exceção. Criaste um bom produto ou serviço, investiste em bom marketing, e agora necessitas de fazer os futuros clientes terem a certeza que se comprarem a ti vão ficar melhor servidos do que se comprarem ali ao concorrente vizinho. Uma boa equipa comercial aliada a bons processos pode fazer toda a diferença numa empresa. Estas pessoas têm que conhecer de trás para a frente o que a empresa vende, e têm que ter a capacidade de responder a todas e quaisquer questões que os potenciais clientes possam ter.

 

Startup

 

Fornecimento de valor

 

Se chegaste até este processo então parabéns, já te encontras a vender algo. Este processo visa detalhar a forma como vais entregar o teu produto ou serviço. Vais fazê-lo através da internet? Vais fornecer um serviço em que terás de estar presencialmente junto do cliente? Ou por outro lado vais utilizar um intermediário para fazeres as tuas vendas? A forma como vais entregar valor ao teu cliente deve ser detalhada para que não tenhas surpresas futuras. Para além disso, neste processo deves também pensar em serviço pós-venda. Vais ter algum? Como vais responder a questões dos teus clientes? Como vais lidar com as reclamações caso tenhas algumas? Não assumas que depois de fazeres a venda a tua relação com o cliente acaba por aí. Quanto mais satisfeito o mantiveres maior possibilidade existe dele falar bem da tua empresa a outros potenciais clientes. Já para não falar que se vendes mais que um produto ou serviço podes tentar fazer-lhe cross-selling ou up-selling. Não descures este ponto muito importante.

 

Finanças

 

Por último vem aquilo que mantém as empresas em funcionamento, o dinheiro. Uma empresa apenas se consegue manter em funcionamento enquanto o seu fluxo de caixa é positivo, ou seja, as receitas forem superiores aos custos. Se isso não acontecer mais tarde ou mais cedo vais ter que fechar portas e encerrar atividade. Deves portanto gerir as finanças da tua empresa com especial detalhe. Faz orçamentos, verifica continuamente se estás ou não a gastar mais que devias, e se estás, faz planos de ação para reduzir custos e manter a empresa com uma boa saúde financeira. Tenta não te endividares muito, principalmente se estás ainda a lançar-te na tua pequena startup. Considero que nesta fase de arranque há que ser um pouco cauteloso e jogar mais pelo seguro, senão corres o risco da tua empresa fechar e ainda te veres a braços com empréstimos de créditos que tens que assegurar.

 

Em jeito de conclusão, se estás a pensar abrir o teu próprio negócio, foca-te pelo menos nestes 5 grandes processos. Deves ter resposta para todos eles antes de te lançares. Lembra-te que não necessitas de processos perfeitos, já que com o tempo vais acabar por afiná-los. Contudo, tenta pelo menos pensar sobre o que te falei acima, já que te vai obrigar a uma reflexão que muito possivelmente te vai salvar a muitos dissabores futuros.

 

Este post foi inspirado no livro "O meu MBA" do Josh Kaufman.

 

Espero que tenhas gostado, até à próxima 

 

06
Out19

Poupar para libertar

Luís Rito

Olá a todos 

 

Hoje vamos abordar um tema diferente do que tem sido a norma neste blog. No meu último post, falei-vos sobre hábitos de um profissional de excelência, se tiveres curiosidade podes lê-lo aqui. Um dos hábitos que abordámos de forma muito leve foi o de ter dinheiro disponível para fazer face às despesas de pelo menos 12 meses. Na teoria parece fácil, mas todos sabemos que por vezes o dinheiro mal chega para o comprimento gigante que têm os meses do ano não é 

 

O hábito da poupança é como qualquer outro hábito, necessita de consistência para que funcione. Não adianta poupares num mês para depois gastares no outro, no final o teu saldo vai ser sempre zero! É a consistência e a capacidade de repetir bons comportamentos ao longo do tempo que te vai trazer resultados. Tal como na gestão de qualquer empresa, a tua grande meta é fazer entrar mais dinheiro do que sai. Tal como um consultor executa um estudo antes de realizar qualquer tipo de recomendação a uma empresa, também tu deves fazer uma consulta à tua situação financeira atual.

 

1. Onde e quanto estou a gastar ao dia de hoje?

 

Primeira questão que tens que responder com alguma urgência, onde e quanto estou a gastar do meu dinheiro? Deves saber exatamente onde gastas o dinheiro, bem como qual o montante dispendido em cada um desses sítios. Por exemplo, sabes exatamente quanto gastas em cafés por mês? E em bolos? Qual a tua fatura média mensal em supermercado ou em jantares fora? Tens que conseguir responder a todas estas questões para conseguires chegar a algum lado. Se não souberes onde gastas então não vais ter forma de saber onde podes ou não reduzir custos, nem vais poder definir um budget para certo tipo de gastos. Pessoalmente utilizo um ficheiro de excel que mantenho atualizado numa base semanal. Todas as semanas entro no ficheiro e actualizo-o com todos os meus gastos (apenas uma vez por semana). É algo que me consome 5m no máximo. Isso permite-me ter uma ideia bem clara de onde ando a gastar o meu dinheiro, e de quanto consumi num determinado mês. Caso o budget que defini for ultrapassado, então já sei que vou ter que me conter até tornar a receber. Um truque que pode ajudar é, logo após receberes o teu ordenado, transferires uma determinada soma para outra conta (de poupança ou investimentos). Desta forma, se não tiveres dinheiro na tua conta à ordem não o vais gastar de certeza . Como bónus, para além de não gastares, estás também a poupar!

 

Liberdade Financeira

 

2. Onde e como posso reduzir o meu custo de manutenção?

 

Depois de teres uma ideia bem clara de onde gastas o teu dinheiro, estás preparado para passar para a próxima fase. Se queres levar a sério o hábito de poupança, deves reduzir todas as "gorduras" dos teus gastos. É nesta fase que deves ser pragmático e cortar aquilo que não acrescenta valor à tua vida. Nota que não estou a dizer para cortares em tudo, mas sim naquilo que consegues prescindir. Por exemplo, se dás valor a ir jantar fora todos os fins de semana, e se tens possibilidade para o fazer, então força nisso! O desafio é colocares tudo em causa, desde os cafés que bebes todos os dias até às mensalidades que pagas todos os meses. Quanto menos gastos tiveres menor será o teu custo de manutenção, o que resultará numa poupança superior (mesmo mantendo o mesmo ordenado). Se pensares bem, para conseguires poupar mais, das duas uma, ou ganhas mais, ou gastas menos, e a curto prazo a última é bem mais rápida e fácil de realizar. A beleza disto é que mesmo que aumentes o teu vencimento, se mantiveres o teu custo de manutenção baixo, significa que consegues poupar ainda mais. Quanto mais tiveres disponível mais livre te vais sentir, já para não falar que vais começar a viver a vida com mais tranquilidade.

Dou-te exemplos de sítios onde podes eventualmente cortar. Presta especial atenção às tuas despesas com mensalidades (Netflix, Spotify, Revistas, SportTV, etc etc), e decide se necessitas mesmo de todas elas. Faz sempre as contas ao ano, por exemplo, se o Spotify te custa 7€/mês, então são 84€/ano. Outro ponto, muitas pessoas pagam mensalidades de ginásio, piscinas e afins, mas nunca lá chegam a pôr os pés. Não te enganes a ti próprio, se não vais, então não pagues e cancela, podes sempre ir fazer umas caminhadas ou corridas para compensar. Presta atenção a todo o dinheiro que gastas também em calorias vazias como gelados, bolos, álcool, etc. Para além de não te fazerem bem à saúde também não te fazem bem à carteira. Se tens créditos ao consumo ou com cartão de crédito, faz um plano para os pagares rapidamente, cada mês que passa tens que suportar juros que te vão deixando sistematicamente mais pobre. As dicas são mais que muitas, não conseguiria colocar tudo neste post. Caso tenhas mais curiosidade sobre este tema, dá uma vista de olhos no meu livro "Liberdade Financeira".

 

3. Estou no caminho certo?

 

Finalmente o último passo é verificares se as ações que estás a tomar estão a trazer resultados. Se fizeres bem o passo 2, então inevitavelmente vais conseguir poupar mais dinheiro. Claro que se quiseres ir mais além, podes definir objetivos mensais e confirmar se os estás ou não a cumprir. Recomendo que definas um objetivo anual de poupança, e que o dividas pelos 12 meses do ano, permitindo-te chegar assim ao objetivo mensal. Dessa forma, caso atinjas o teu objetivo em determinado mês, não te deves sentir mal por gastar o excedente em coisas que realmente te dêem prazer e que adoras. Só temos uma vida, portanto aproveita-a!

 

Espero que tenhas gostado deste post, é um pouco diferente do que é habitual, mas pretendo de vez em quando tocar no tema finanças pessoais, acho que literacia financeira é um tema que deveria ser ensinado desde que somos crianças, talvez assim não existissem tantas famílias com sérios problemas de sobreendividamento.

 

Até à próxima 

 

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