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O Gestor de Projeto Moderno

O Gestor de Projeto Moderno

17
Nov19

Extreme Programming - O que é?

Luís Rito

Olá :)

 

Hoje abordamos o tema Extreme Programming, vou dar-vos a conhecer o que é, e quais os seus valores.

 

O que é?

 

O Extreme Programming (XP) é uma metodologia de desenvolvimento de software, que teve origem nos Estados Unidos da América durante a década de 90. O grande objetivo desta metodologia passa pela criação de sistemas de software com maior qualidade, numa timeframe mais reduzida e custando por acréscimo menos dinheiro.

Tudo isto é possível devido à forma com o XP foge à forma tradicional de realizar projetos, bem como à aplicação de uma série de valores, princípios e práticas.

O âmbito deste post passa por perceber quais os valores que estão envolvidos na prática desta metodologia, ficando os princípios e as práticas guardados para mais à frente.

 

Valores

 

Um dos maiores problemas que existe no desenvolvimento de software passa pelo facto das pessoas envolvidas neste processo se focarem muito em ações individuais. Uma equipa a funcionar em pleno sabe que o importante não são as ações individuais, mas a coesão que existe entre toda uma equipa.

Nesta metodologia dá-se especial atenção ao facto da equipa estar ou não concentrada no que realmente interessa, ou seja, se estão todos a “remar” para o mesmo sentido. Para que isso aconteça o XP baseia-se em cinco valores básicos:

 

  • Comunicação
  • Coragem
  • Feedback
  • Respeito
  • Simplicidade

 

Comunicação

 

Tipicamente um cliente que necessita de um sistema informático tem um conjunto de problemas que pretende resolver, tendo já inclusive algumas ideias sobre como o fazer. Por outro lado as equipas que desenvolvem o software têm o Know-How técnico que lhes permite construir um sistema tendo em conta as melhores práticas. Para que exista um entendimento entre o cliente que fala uma linguagem mais voltada para o négocio e os programadores que falam uma linguagem mais técnica é necessário que exista um bom canal de comunicação.

Quanto melhor for o canal de comunicação menos possibilidades existem de criação de problemas, ambiguidades e desentendimentos.

Por norma, os diálogos cara a cara são superiores a uma videoconferência, que é superior a um telefonema que por sua vez é mais expressivo que um email.

Uma das ferramentas que é utilizada no XP é o diálogo cara a cara, permitindo desta forma que o entendimento entre todas as partes seja o mais correto possível. Desta forma evitam-se problemas que possam surgir mais tarde, até porque quanto mais cedo os problemas forem detetados menos custos estarão envolvidos na sua resolução.

 

Coragem

 

Um projeto de software está constantemente sujeito à mudança. Os clientes mudam de ideias com alguma frequência, seja porque as prioridades mudam, seja porque percebem que existem formas mais eficazes de resolver os seus problemas. Qualquer mudança não planeada realizada a meio de um projeto acarreta riscos, pois por vezes é necessário alterar blocos do sistemas que já estavam fechados, existindo a possibilidade de provocar bugs (erros informáticos).

O XP não tem uma fórmula mágica para resolver este problema, mas utiliza uma série de mecanismos de proteção que permite enfrentar a mudança com uma coragem renovada.

Assim ao invés de bloquear a criatividade do cliente, uma equipa XP enfrenta com segurança e coragem o desconhecido.

Alguns dos mecanismos de proteção utilizados são o desenvolvimento orientado a testes, o pair programming e a integração contínua (falarei noutro dia do que são).

 

extremeProgramming.jpeg

 

Feedback

 

Os projetos de software são normalmente iniciativas muito dispendiosas, arriscadas e com um histórico de falhas muito alto. As equipas XP sabem isso melhor que ninguém, e encaram todos os projetos como uma eventual potencialidade de problemas e falhas que possam advir.

Todas estas falhas podem ser minimizadas se forem identificadas rapidamente e numa fase inicial. É por isso que no XP estabelecem-se ciclos de desenvolvimento curtos, onde são apresentados pequenos pacotes de funcionalidades ao cliente. Assim é possível deste logo alinhar as expectativas do cliente com as expetativas da equipa de desenvolvimento, favorecendo ambas as partes. O cliente sai beneficiado pois desempenha um papel mais ativo na construção do sistema (aumentando a probabilidade de sucesso do projeto), e a equipa de desenvolvimento beneficia de uma menor probabilidade de falhas e problemas futuros (que originam muito rework).

 

Respeito

 

Respeito é o valor mais importante de todos. Os membros de uma equipa só vão funcionar como “equipa” se existir respeito mútuo entre todos eles. Se não existir respeito mútuo no seio de uma equipa então não existe muito que se possa fazer para salvar um projeto de uma catástrofe.

Saber ouvir e saber compreender o ponto de vista de um colega é essencial para o sucesso de um projeto de software.

 

Simplicidade

 

Estudos recentes demonstram que uma grande percentagem de todas as funcionalidades desenvolvidas num sistema informático não chegam sequer a ser utilizadas.

O XP baseia-se no princípio de simplicidade, onde se dá prioridade a funcionalidades realmente necessárias ao bom funcionamento do sistema, evitando funcionalidades que podem vir a ser necessárias no futuro, mas que ainda não o provaram ser.

Por outras palavras, primeiro construímos um automóvel capaz de circular, depois preocupamo-nos com a marca do auto-rádio e se o volante tem ou não botões que o controlam.

 

Por hoje é tudo, num post mais à frente prometo aprofundar um pouco mais sobre este tema.

 

Até à próxima :)

 

 

 

10
Nov19

Ativos vs Passivos

Luís Rito

Olá :)!

 

Antes de mais, espero que se encontrem bem. Hoje vamos voltar ao tema finanças pessoais, mais concretamente, diferenças entre ativos e passivos.

Muita confusão existe sobre o que é um verdadeiro ativo, e acabo por reparar que muitos de nós tomamos decisões, por vezes erradas, ao pensar que estamos a fazer um investimento ao invés de estarmos a incorrer num custo. Deixem-me clarificar.

 

Ativo é algo que possuis e que te põe dinheiro na conta. Passivo é algo que possuis e que te tira dinheiro da conta.

 

Portanto, quando dizes que vais investir num automóvel novo ou numa casa nova para residir, não te enganes, estás a comprar passivos. Em ambos os casos vais gastar o teu dinheiro (ou o dinheiro de um banco ou financeira) para os comprar. No caso de teres de solicitar empréstimo, ainda terás de suportar juros, normalmente elevados. Para ajudar, ambos os casos que te falei têm custos de manutenção elevados. Um automóvel necessita de combustível, paga IUC, seguro, tem que trocar de pneus, óleo, etc. Já um imóvel, tem custos de manutenção, paga IMI, entre outras coisas. Se olhares com atenção, tudo o que te falei acima apenas te tira dinheiro do bolso e não o contrário. Tratam-se portanto de passivos e não de ativos. 

 

Sabes como poderias transformar ambos em ativos? Por exemplo, se comprares o imóvel com o objetivo de o arrendar a outras pessoas, então trata-se de um investimento, já que estás a dispender dinheiro com o objetivo de no futuro vir a obter rendimentos desse mesmo investimento. De igual forma, se comprares um imóvel, e investires algum dinheiro na sua remodelação para depois o venderes com um lucro interessante também estás a comprar um ativo. No caso do automóvel, imagina que o conseguirias alugar, obtendo dinheiro que te permitisse fazer face aos gastos e também compensar o risco de empréstimo. Estarias então a acrescentar um ativo ao teu portfólio. Com automóveis também existe um mercado de compra de clássicos a preço baixo, restauro dos mesmos, e venda a um preço que compense os gastos realizados na sua reconstrução.

 

Como podes ver, isto que te falei aplica-se a praticamente tudo. Outro exemplo, se compras um computador caro, mas o vais utilizar para produzir conteúdos que te permitam fazer dinheiro então é um ativo. Se apenas o utilizas para jogar ou navegar na internet já se torna um passivo. O teu objetivo deve ser a compra de cada vez mais ativos. É assim que os ricos ficam mais ricos. Nunca ouviste a expressão de que dinheiro gera dinheiro? É exatamente por isso, as pessoas que percebem isto dedicam-se fielmente a comprar ativos ao longo dos anos, reduzindo os seus passivos a um mínimo aceitável (por exemplo, todos temos que ter uma casa onde morar).

 

Dinheiro a crescer

 

Hoje em dia, até os depósitos a prazo que os bancos te oferecem são passivos, já que o que te pagam em juros normalmente não é suficiente para fazer face às despesas de manutenção. Para agravar, se não chega para pagar as despesas de manutenção, ainda menos chega para fazer face à inflação, que em 2018 foi de 1%. Na prática, ao invés de estares a criar valor estás a destruir valor, ou seja, estás a ficar mais pobre ao longo do tempo. É por isso que deves investir em verdadeiros ativos, ainda que isso signifique que vais estar exposto a um nível de risco maior. Em próximos posts vou falar-te um pouco de verdadeiros ativos que podes adquirir, mas para já falo-te de alguns dos mais famosos:

 

- Compra de ações, obrigações, fundos de investimento, ETF´s, etc;

- Compra de imóveis para arrendamento ou venda a preço superior;

- Investimento em plataformas de crowdfunding, como por exemplo a Raize ou Housers.

 

Todos estes ativos têm potencial para te colocar mais dinheiro no bolso. Os melhores ativos são aqueles que para além de poderem ser vendidos no futuro a preços superiores, ainda te geram rendas periódicas constantes, como o caso de imóveis arrendados ou ações, obrigações, fundos ou ETF´s através dos dividendos.

 

Por hoje é tudo, espero que tenhas gostado. Até à próxima :)!

 

 

02
Nov19

A carreira de gestão de projetos é indicada para mim?

Luís Rito

Olá :) !

 

Hoje voltamos ao tema "Gestão de Projetos". Acima de tudo, vamos focar-nos na questão, a carreira de gestão de projetos é indicada para mim?

Após alguns anos de gestão de projetos, uma coisa que me saltou à vista foi o facto de existirem pessoas que acham que é uma profissão relativamente fácil, e que qualquer um a pode fazer. Até certo ponto é verdade, mas apenas se tens como objetivo exercer uma gestão de projetos básica ou medíocre. Na realidade, para se chegar a um nível de excelência é necessário muito mais que saber fazer planos e controlar o trabalho das pessoas. É sobre isto que te quero falar hoje. Uma gestão de projetos robusta necessita de pessoas com experiência e com um conjunto de skills muito específico. Claro que a capacidade de realizar bons planos, organizar o trabalho das outras pessoas ou efetuar um bom controlo é algo importante, mas não é isso que distingue um gestor de projeto mediano de um gestor de projeto excelente. Todas essas características são o básico que tens que aprender para começar a gerir projetos. A parte em que realmente te podes destacar vem depois, e é bem mais difícil de aprender. Uma percentagem muito grande de gestores de projeto estagna exatamente aí, já que como em qualquer profissão, se queres avançar para um nível de excelência necessitas de gostar realmente do que fazes e de te puxar para o próximo nível.

 

A primeira característica que necessitas de cultivar para seres um gestor de projeto de excelência é teres um interesse genuíno pelas pessoas e pelos seus interesses. Enquanto gestor de projeto terás muitas vezes de convencer as pessoas a fazer aquilo que queres, mesmo sem teres qualquer tipo de autoridade formal sobre elas. Para o conseguires, tens que conquistar a sua confiança e ganhar influência junto delas. Isso não se consegue de uma forma rápida nem se consegue a enviar emails da tua secretária. As pessoas são bem mais que recursos no teu plano de projetos, têm famílias, têm interesses, têm aspirações e objetivos. Se és o típico gestor de projetos que apenas envia emails a solicitar que o trabalho seja executado, nunca vais conseguir chegar à excelência. Precisas de te levantar, precisas de ir falar com as equipas, entender como está a sua moral, perceber se a pessoa certa está afeta à tarefa certa e de as convencer a irem contigo, mesmo quando tens dúvidas sobre se é o caminho certo. Por outras palavras, se fores um líder nato vais com certeza ser um gestor de projeto excepcional.

 

Interesse genuíno nos outros

 

A segunda característica fundamental é ser um pouco cético em relação a tudo. Não digo isto de forma a desconfiares de tudo e de todos, mas teres uma curiosidade forte e perguntares sempre o porquê das coisas serem assim. Isto vale tanto para a equipa como para o cliente do teu projeto. Por exemplo, quando um membro da equipa te dá uma estimativa de 5 dias para algo que achas que leva 3, então deves perguntar o porquê da estimativa. Estarás a esquecer-te de algo ou a pessoa deu uma folga demasiado generosa? Deves manter-te cético e perguntar o porquê. Isto também vale para o cliente do teu projeto. Por exemplo, se numa reunião o teu cliente te exige mais âmbito mantendo o mesmo prazo de entrega, deves perguntar-te se o pedido é ou não irrealista. Existem muitos projetos que nascem já com o selo do fracasso, basta para isso que te digam que deves realizar um determinado âmbito num prazo impossível. Enquanto gestor de projetos deves sempre questionar e levantar pontos que ponham em causa o sucesso do projeto. Se achas que o prazo que te deram é irrealista, deves partilhar, ainda que o tenhas que dizer a um gestor sénior ou a um diretor.

 

A terceira característica é que deves aprender a aceitar a mudança. Não sejas o gestor de projeto que faz um plano de projeto e acha que não terá de o alterar mais. O principal benefício de fazer um plano de projeto é colocar as pessoas a planear, tornando o próprio ato de planeamento mais importante que o plano em si. Garanto-te que um plano apenas se mantém perfeito até ao primeiro dia do projeto :). A partir daí terás de começar a realizar ajustes e alterações para fazer face a todas as mudanças que vão certamente acontecer. Portanto, não sejas o gestor que compra guerras com o cliente apenas por ele querer algo um pouco diferente do que pediu inicialmente. Claro que se for uma mudança de âmbito drástica o planeamento como um todo deve ser reavaliado, mas se as alterações em causa são curtas e poucas, deves tentar acondicioná-las. Cuidado apenas para não cederes em tudo, se aceitas todas as pequenas alterações, no final o teu projeto não vai acabar dentro do prazo estimado. Deves aceitar algumas alterações que te dêem créditos para negar outras. Caso o teu cliente insista, apenas tens que referir que para realizar as alterações não vais conseguir garantir a data estimada de fim, e pede o seu consentimento para aumentar o prazo.

 

Existem muito mais características, mas deixo-te aqui 3 que considero muito importantes. Concordas com elas?

 

Até à próxima!

 

27
Out19

Gestão de conflitos na gestão de projetos

Luís Rito

Olá !

 

Hoje vamos falar de um tema muito importante. Em todas as organizações, e consequentemente em todos os projetos, existem conflitos. É algo normal, e deve até ser encarado como saudável. Uma equipa que não tem conflitos não se encontra a trabalhar na sua capacidade máxima, já que pode significar que as pessoas não se encontram a comunicar eficazmente, ou pior, que não querem saber do seu trabalho e dos seus projetos. Alguém que não se interessa tem uma maior capacidade em ignorar por completo os conflitos normais do dia-a-dia. O mesmo acontece em pessoas com alguma aversão a conflitos, talvez devido a traços de personalidade mais introvertidos. O conflito normalmente obriga a uma troca de ideias entre dois ou mais elementos da equipa, o que por vezes vai originar uma conjugação de ideais que levam a uma melhor solução do ponto de vista global.

 

Feita esta pequena introdução, passemos à mensagem que te quero transmitir. Abaixo listo-te 5 técnicas de gestão de conflitos. Acredito que muitas delas (ou mesmo todas) já as utilizaste. Também acredito que devido à tua personalidade utilizes mais umas que outras. As técnicas são:

 

Evitar

 

Como o nome indica, neste caso a estratégia passa por evitar ou adiar o conflito. Pode ser uma excelente técnica quando necessitas de te preparar melhor para o conflito, ou quando achas que pode ser resolvido por outros. Ao evitar também te dá mais tempo para pensar melhor sobre a perspetiva da outra pessoa. Deixo apenas um alerta, se evitas um conflito para te preparares melhor para ele no futuro, então certifica-te que fazes isso mesmo, caso contrário o adiamento não será de todo proveitoso. Corres ainda o risco de ao adiar um conflito o ir tornando cada vez pior.

 

Acomodar

 

Acomodar um conflito significa focar em áreas em que existe acordo ao invés de áreas em que existe desacordo. Isto significa que nesta estratégia de conflito uma das partes cede a sua posição em benefício da outra parte. Com este tipo de técnica normalmente opta-se por favorecer a relação profissional ao invés de a fragilizar com conflitos. Assim, não deve existir foco nos pontos em que existe desacordo, a parte que acomoda tenta encontrar pontos de acordo entre ambas as partes para resolver o conflito (embora tenha que ceder na sua posição). Técnica muito utilizada quando a parte que acomoda quer manter a paz na equipa, quando sabe que não tem alternativa senão aceitar a outra parte ou quando num projeto de longa duração se opta por ceder num ponto para mais à frente ganhar noutro. Por exemplo, podes optar por acondicionar um novo desenvolvimento no teu projeto (desde que seja pequeno), para mais à frente dizer que já não te é possível realizar outro porque já esticaste o calendário.

 

Compromisso

 

Ao obter um compromisso, ambas as partes ganham, mas também têm que ceder em algo. Alguns conflitos não têm uma solução win-win, ou seja, em que todas as condições de todas as partes são completamente resolvidas ou cumpridas. Nestes casos usam-se técnicas de negociação para que ambas as partes ganhem, tendo cada uma delas que ceder em algumas condições iniciais. Para que esta técnica funcione, ambas as partes têm que saber o que a outra pretende. A dificuldade é que muitas vezes a real necessidade está camuflada, e quem negoceia nunca chega a entender o real interesse. Por exemplo, imagina um profissional que tem férias marcadas para a próxima semana. O gestor de um projeto propõe adiantar um bloco do projeto para a próxima semana a fim de recuperar calendário, e tenta negociar com a equipa a melhor forma de o fazer. Neste caso pode acontecer que o profissional que tem férias, tente boicotar o avanço do bloco do projeto, argumentando por exemplo que trás muito risco, quando na realidade o seu real interesse é ir de férias. Deve-se tentar sempre perceber qual a real necessidade para que se consiga resolver um conflito.

 

Forçar

 

Como o nome indica, a estratégia de forçar impõe fazer valer a sua vontade acima da dos outros. Normalmente só é possível quando realizada por alguém com hierarquia superior dentro da organização. Neste tipo de técnica, normalmente acontecem situações win-lose, já que uma parte sai claramente beneficiada em relação à outra. Pode ser muito útil em alguns tipos de situação, como por exemplo no meio de uma crise onde decisões rápidas têm que ser tomadas. Outro bom exemplo é quando determinadas ações têm que acontecer, como por exemplo manter regras de segurança no trabalho. Ainda que um operário argumente e justifique o porquê de não querer utilizar um capacete enquanto trabalha, o seu chefe pode forçá-lo a fazê-lo, dado que se trata de uma obrigatoriedade. Convém só dizer que com esta estratégia, existe uma maior possibilidade de vires a ter colaboradores zangados e pouco satisfeitos.

 

Gato chateado

 

Colaborar

 

A típica situação win-win. Neste tipo de estratégia ambas as partes estão recetivas a colaborar e a chegar a um consenso e compromisso. Por existir esta predisposição, normalmente o diálogo é algo normal, tentando-se obter e concretizar as condições de todas as partes. Para que isto aconteça, a equipa deve já ter um nível de confiança alto e devem ser aplicadas técnicas que estimulem a criatividade. Todos sabemos que por vezes os problemas e conflitos aparentam não ter solução, mas na realidade a grande maioria tem, bastando para isso pensar um pouco enquanto equipa. Esta técnica é a minha preferida, pois de uma discussão construtiva podem surgir melhorias ou soluções às quais nunca iríamos chegar sozinhos.

 

Agora que já conheces as 5 técnicas, com quais delas te identificas mais?

 

Até à próxima 

 

 

20
Out19

12 formas de fornecer valor

Luís Rito

Olá !

 

No último post falámos sobre 5 procesos básicos na criação de uma startup (dá uma vista de olhos aqui). O primeiro processo que abordámos foi a criação de valor, e hoje quero falar-te um pouco das diferentes formas que existem para o fazer. Vamos abordar 12 possibilidades de criares valor, e quem sabe até consigas tirar alguma ideia para algo que estejas a pensar realizar. Sem mais demoras, vê abaixo quais são.

 

Produto

 

Uma das formas mais tradicionais de criar valor. Quase tudo o que temos nas nossas casas são produtos, a TV, a torradeira, o sofá, o computador, os livros, etc. Estes são muito vantajosos porque após construíres um produto, o esforço de o replicar é muito baixo. É por isso que nos produtos o efeito de escala se verifica. Por exemplo, um produto construído para ser vendido através da internet tem um esforço inicial grande, mas depois pode ser vendido milhares de vezes.

Do ponto de vista de uma empresa, para manter um produto necessitas de assegurar o seguinte:

 

1. Criar um artigo tangível que os outros desejem;

2. Produzir esse mesmo artigo da forma mais económica possível, mantendo sempre a qualidade desejada;

3. Vender o maior número de unidades desse mesmo artigo pelo máximo preço que o mercado esteja disposto a pagar;

4. Manter stock suficiente desse artigo que permita fazer face às encomendas que vão chegando.

 

Serviço

 

Tirando os produtos, os serviços são também das formas mais utilizadas de fornecimento de valor. Vemos serviços em todo o lado, desde consultoria, limpezas ou cortes de cabelo, até serviços mais recentes como passear cães.

Para que possas ter uma empresa baseada em serviços necessitas de assegurar o seguinte:

 

1. Dispor de pessoas que tenham uma competência ou capacidade que outros necessitem, seja por não o quererem fazer seja por não terem competência para o fazer. Quanto mais rara for essa competência mais vais conseguir cobrar pelo serviço;

2. Assegurar que o serviço é prestado com o máximo de qualidade;

3. Atrair e manter clientes pagantes.

 

Recurso Partilhado

 

Um recurso partilhado é um bem durável e utilizável por muitas pessoas. Bons exemplos são as passadeiras ou bicicletas que vês nos ginásios, ou as trotinetes que vês em todo o lado por Lisboa. Foram adquiridos uma única vez para serem utilizados múltiplas vezes, permitindo encaixar receita sempre que são usados. O desafio aqui passa por teres o número ideal de utilizadores, já que poucos utilizadores não te vão permitir manter e melhorar o recurso, e muitos utilizadores podem levar a uma queda de qualidade e posterior descontentamento de quem o utiliza.

Para teres um recursos partilhado eficaz necessitas do seguinte:

 

1. Criar ou adquirir um bem a que outros queiram ter acesso;

2. Servir o maior número de utilizadores possível, sem que isso afete a qualidade da experiência deles;

3. Cobrar um valor que permita manter e melhorar o recurso partilhado.

 

Subscrição

 

Muito em voga nos dias que correm, cada vez vemos mais criação de valor via subscrição. Exemplos como o Netflix ou Spotify são bons exemplos disso. Pressupõe-se então que o utilizador está disposto a pagar um valor de forma periódica a troco de benefícios que este valoriza. A subscrição é uma das formas de criação de valor mais atrativas, já que sabes com exatidão o rendimento mensal que vais auferir. Ao invés de teres de estar de forma constante a tentar vender aos teus clientes, podes concentrar-te em fidelizar e manter os atuais.

Para que consigas criar um modelo de subscrição bem sucedido necessitas de:

 

1. Fornecer valor a cada subscritor de forma regular;

2. Construir uma base de subscritores e atrair continuamente novos, já que neste tipo de criação de valor é normal existir a erosão de subscritores ao longo do tempo;

3. Cobrar de forma periódica aos clientes;

4. Manter os subscritores pagantes pelo período máximo de tempo possível.

 

Revenda

 

Neste caso, trata-se basicamente de comprar barato e vender caro. A revenda é a aquisição de um bem a um grossista (normalmente em grandes quantidades), seguida da sua venda, por um preço superior, permitindo encaixar a margem. Um bom exemplo é a Sonae, que compra produtos a produtores (frutas, legumes, etc), para os vender nos seus supermercados a preços mais elevados. A diferença entre o valor a que vende pelo valor a que compra é a sua margem. Os produtores acabam também por ganhar com isto porque não necessitam de se estar a preocupar com a venda de milhões de unidades dos seus produtos a diversos clientes. Ao vender a um único retalhista permite-lhes focar naquilo que fazem bem, produzir com qualidade.

Para teres sucesso com revenda, deves ter em atenção o seguinte:

 

1. Adquirir produtos de forma o menos dispendiosa possível (por exemplo em grandes quantidades);

2. Conservar o produto em boas condições até ao momento da venda, já que se não estiver não poderá ser vendido;

3. Encontrar compradores o mais rápido possível, já que ter muito produto em stock faz disparar os custos de armazenamento;

4. Vender o produto com uma margem de lucro o mais alta possível.

 

Criar valor

 

Aluguer

 

Um aluguer consiste na obtenção de um bem que posteriormente será cedido a alguém durante um período de tempo, em troca de uma renumeração. Voltando uns anos atrás, quando te dirigias a um vídeoclube e trazias um filme para ver em troca de dinheiro, estavas a fazer um aluguer. O mesmo acontece com casas e carros, podes pagar uma renda mensal em troca da utilização de determinado imóvel ou automóvel. O aluguer normalmente permite a pessoas usufruirem de algo que seria mais dispendioso tê-lo se o comprassem. Por exemplo, comprar um novo Mercedes é muito dispendioso, mas podes optar por fazer um leasing ou renting durante um ano e utilizar diariamente esse mesmo automóvel. Existe algo muito importante, deves sempre garantir que o que vais cobrar pelo aluguer permitirá cobrir na totalidade o custo do bem antes deste se deteriorizar ou perder (caso contrário ao invés de criar valor estás a destruir valor).

Um aluguer de sucesso depende do seguinte:

 

1. Adquirir um bem que outros estejam dispostos a utilizar;

2. Alugá-lo a clientes pagantes, sempre salvaguardando esse mesmo bem;

3. Proteger-se de ocorrências inesperadas, incluindo a perda ou deteriorização do bem alugado.

 

Agenciamento

 

O agenciamento passa pela realização de tarefas de marketing e comercialização de um bem que não se possui. Ao invés de seres tu a produzir valor, associas-te a alguém que tem valor para oferecer, trabalhando no sentido de encontrar um comprador. Em troca disso recebe-se uma comissão ou honorário. Um exemplo de agenciamento é o que acontece por exemplo com agentes imobiliários. Estes não possuem o bem (o imóvel), apenas atuam como uma ponte entre o vendedor e os compradores. Um bom agente permitirá a um vendedor aumentar em muito a sua taxa de sucesso numa venda, já que normalmente têm contactos e toda uma rede disponível que os apoia.

Para um agenciamento de sucesso necessitas:

 

1. Encontrar um vendedor que tenha um bem valioso;

2. Estabelecer contacto e confiança com potenciais compradores;

3. Negociar com compradores de forma a chegar a um acordo relativamente aos termos de venda;

4. Cobrar ao vendedor os honorários ou comissão previamente acordada.

 

Agregação de Grupo-Alvo

 

A agregação de grupo-alvo implica ter a capacidade de juntar um grupo de pessoas com interesses comuns, tentando depois vender a terceiros o acesso a esse grupo. Parece mais difícil do que é, mas vê o caso de um influencer do Instagram. Imagina alguém que adora desporto e partilha diariamente fotos e conselhos para seguir um estilo de vida saudável. O seu grande objetivo vai passar por ter um número grande de seguidores que se preocupam exatamente com um estilo de vida saudável. Depois de ter um número de seguidores alto, empresas que tenham produtos ou serviços relacionados com estilo de vida saudável poderão pagar ao influencer para ter acesso aos seus seguidores, expondo-os a publicidade que os leve a comprar os seus produtos.

Neste tipo de criação de valor deves assegurar o seguinte:

 

1. Identificar um grupo de pessoas com interesses comuns;

2. Criar e manter forma de atrair de modo consistente a atenção desse grupo;

3. Encontrar terceiros interessados em captar a atenção desse público;

4. Vender o acesso a esse público, tendo sempre o cuidado de não o alienar.

 

Empréstimo

 

Todos nós conhecemos os empréstimos. Muitos têm empréstimos que lhes permitem comprar casas ou um carros, que de outra forma não lhes seria possível possuir. Na prática um empréstimo é a capacidade de emprestar dinheiro a alguém, sendo este devolvido numa base regular, acrescido de uma taxa de juro. Todos os bancos o fazem, sendo uma das suas principais formas de gerar riqueza e lucro. O risco passa por desenvolver formas de se precaver para o caso de a pessoa a quem fez o empréstimo deixar de lhe pagar as mensalidades em dívida.

Para a realização de um empréstimo de sucesso vais necessitar:

 

1. Dispor de dinheiro para investir;

2. Encontrar alguém disposto a pedir esse dinheiro emprestado;

3. Cobrar uma taxa de juro que compense o empréstimo;

4. Proteger-se para a possibilidade do empréstimo não ser reembolsado. 

 

Opção

 

Uma opção implica realizar uma ação num período previamente estabelecido em troca de uma renumeração. Trocando isto por míudos, estás a pagar pelo direito de realizar algo no futuro, contudo tens sempre a escolha de não o fazer. Por exemplo, quando compras um bilhete para um festival de música, estás na realidade a comprar uma opção, ou seja, a comprar o direito de entrar no recindo do festival e ver o espetáculo. Podes sempre à última hora optar por não o fazer e perder o investimento realizado, daí ser uma opção. O mesmo acontece quando compras um bilhete para o cinema ou quando dás um sinal monetário sempre que tencionas arrendar um imóvel.

Quando pensares em opções, deves pensar no seguinte:

 

1. Identificar uma ação que algumas pessoas possam querer realizar no futuro;

2. Proporcionar aos potenciais compradores o direito a realizar essa ação antes de um determinado prazo (mediante pagamento);

3. Impor o limite do prazo para poder realizar a ação. 

 

Seguro

 

Um seguro permite transferir um risco do comprador para o vendedor. A grande maioria de nós tem um seguro automóvel, um seguro de saúde ou um seguro de vida. Na realidade, um seguro nada mais é que aceitar pagar um valor monetário para que o vendedor fique com o risco do lado dele. No caso de um seguro automóvel, se tiveres seguro contra todos os riscos e bateres com o teu carro, vais estar tranquilo porque já transferiste esse risco no passado. Será a seguradora a fazer face a todas as despesas. Por outro lado, a seguradora ao aceitar esse risco vai exigir da nossa parte pagamentos regulares.

Para conseguires criar valor com seguros deves assegurar o seguinte:

 

1. Criar um acordo legal que transfira o risco de determinada ocorrência negativa para ti;

2. Estimar o risco dessa ocorrência negativa ocorrer;

3. Cobrar a série de pagamentos acordada ao longo do tempo;

4. Pagar indemnizações legítimas caso o risco ocorra.

 

Capital

 

O capital representa a aquisição de uma quota de participação numa empresa. Se já ouviste falar dos Business Angels, sabes que são pessoas com muitos recursos que investem em negócios com potencial, recebendo em troca uma participação na empresa, esperando com isso que a empresa prospere e que o seu investimento seja totalmente reavido. Após atingir esse ponto, tudo o que vier é lucro. Se já viste o programa Shark Tank sabes bem do que se trata. Algumas pessoas levam uma ideia de negócio a grandes investidores e estes dizem se estão ou não interessados em investir em troca de uma participação na empresa.

A aquisição de ações de uma empresa também se pode considerar capital, já que se está a investir dinheiro em troca de uma pequena parte da empresa.

Para forneceres valor através de capital tens que:

 

1. Dispor de recursos para investir;

2. Encontrar um negócio promissor no qual estejas disposto a investir;

3. Realizar estimativa do valor atual da empresa, calcular o valor futuro, e avaliar possibilidade da empresa falir (resultando na perda total do investimento);

4. Negociar a quota de participação que vais receber em troca do capital que investires. 

 

Uff, é tudo, penso que com isto ficas com uma ideia geral de todas as formas que tens de criar valor. De todas estas, com quais te identificas mais?

 

Este foi inspirado no livro "O meu MBA" do Josh Kaufman.

 

Espero que tenhas gostado, até à próxima 

 

 

13
Out19

Os 5 processos básicos na criação de uma startup

Luís Rito

Olá !

 

Parece que nos dias de hoje todos anseiam por ser empreendedores. Ter o seu próprio negócio está mesmo na moda. Os motivos são vários, alguns procuram-no porque não se sentem realizados nos seus empregos atuais, outros acham que vão enriquecer, outros querem ter a liberdade de tomar as rédeas e ser responsáveis por todas as decisões e não terem que obedecer a hierarquias enquanto outros apenas anseiam por criar algo e deixar a sua marca na humanidade. Seja qual for o motivo, ao longo dos anos tenho falado com pessoas que querem muito criar um negócio, mas que não respeitam o mínimo dos mínimos que devem assegurar para colocar de pé uma empresa. Independentemente da empresa, seja ela grande ou pequena, deve seguir 5 processos básicos para assegurar a sua sobrevivência. Parece simplista mas na realidade creio que tudo se resume a 5 macroprocessos. Isto significa que se queres criar um negócio do zero, aconselho-te a olhar com muita atenção para os 5 processos que te descrevo abaixo.

 

Criação de valor

 

Este é o processo basilar. Apenas tens uma empresa se produzires algo de valor que o mercado queira comprar. Seja um produto ou um serviço, o teu objetivo deve ser encontrar uma necessidade e satisfazê-la. Podes optar por procurar uma necessidade nova ou tentar ganhar uma parcela num mercado já implantado. Sempre que exista concorrência, apenas vais conseguir vingar se o teu produto/serviço for melhor ou se cobrares um preço mais baixo. Muitas startups tecnológicas focam-se em nichos de mercado para construir o seu negócio. Temos ainda algumas empresas que conseguem criar novas necessidades, e sempre que isso acontece normalmente a empresa ganha uma boa vantagem competitiva inicial. Por exemplo a Tesla, optou por criar o seu carro eléctrico numa altura em que nenhuma empresa tinha essa tecnologia madura. Com isso conseguiu uma grande vantagem no que toca a tecnologia de baterias para automóvel. Se estás a dar os primeiros passos na criação de uma empresa, certifica-te que te encontras a produzir valor que o mercado procura.

 

Marketing

 

Pois é, não basta criar algo de valor, há que mostrar ao público-alvo que temos algo interessante que pode resolver os seus problemas. É aí que entra o processo número dois, o marketing. Já reparaste como um bom marketing faz toda a diferença? Como pode transformar um produto bom num produto excelente? Vê por exemplo o marketing que é feito pela Apple. Os seus produtos são verdadeiramente desejados por uma legião de pessoas, transformando-as em seguidoras fiéis que espalham a palavra acerca das maravilhas que é ter um produto da marca da maçã. Se estás portanto a construir uma startup, não descures o poder do marketing. Podes até ter algo de valor, mas se não chegas às pessoas a quem o queres vender não vais conseguir ter sucesso.

 

Vendas

 

Todas as empresas têm uma equipa comercial. São quem consegue transformar prospects em clientes pagantes, e a tua empresa não é exceção. Criaste um bom produto ou serviço, investiste em bom marketing, e agora necessitas de fazer os futuros clientes terem a certeza que se comprarem a ti vão ficar melhor servidos do que se comprarem ali ao concorrente vizinho. Uma boa equipa comercial aliada a bons processos pode fazer toda a diferença numa empresa. Estas pessoas têm que conhecer de trás para a frente o que a empresa vende, e têm que ter a capacidade de responder a todas e quaisquer questões que os potenciais clientes possam ter.

 

Startup

 

Fornecimento de valor

 

Se chegaste até este processo então parabéns, já te encontras a vender algo. Este processo visa detalhar a forma como vais entregar o teu produto ou serviço. Vais fazê-lo através da internet? Vais fornecer um serviço em que terás de estar presencialmente junto do cliente? Ou por outro lado vais utilizar um intermediário para fazeres as tuas vendas? A forma como vais entregar valor ao teu cliente deve ser detalhada para que não tenhas surpresas futuras. Para além disso, neste processo deves também pensar em serviço pós-venda. Vais ter algum? Como vais responder a questões dos teus clientes? Como vais lidar com as reclamações caso tenhas algumas? Não assumas que depois de fazeres a venda a tua relação com o cliente acaba por aí. Quanto mais satisfeito o mantiveres maior possibilidade existe dele falar bem da tua empresa a outros potenciais clientes. Já para não falar que se vendes mais que um produto ou serviço podes tentar fazer-lhe cross-selling ou up-selling. Não descures este ponto muito importante.

 

Finanças

 

Por último vem aquilo que mantém as empresas em funcionamento, o dinheiro. Uma empresa apenas se consegue manter em funcionamento enquanto o seu fluxo de caixa é positivo, ou seja, as receitas forem superiores aos custos. Se isso não acontecer mais tarde ou mais cedo vais ter que fechar portas e encerrar atividade. Deves portanto gerir as finanças da tua empresa com especial detalhe. Faz orçamentos, verifica continuamente se estás ou não a gastar mais que devias, e se estás, faz planos de ação para reduzir custos e manter a empresa com uma boa saúde financeira. Tenta não te endividares muito, principalmente se estás ainda a lançar-te na tua pequena startup. Considero que nesta fase de arranque há que ser um pouco cauteloso e jogar mais pelo seguro, senão corres o risco da tua empresa fechar e ainda te veres a braços com empréstimos de créditos que tens que assegurar.

 

Em jeito de conclusão, se estás a pensar abrir o teu próprio negócio, foca-te pelo menos nestes 5 grandes processos. Deves ter resposta para todos eles antes de te lançares. Lembra-te que não necessitas de processos perfeitos, já que com o tempo vais acabar por afiná-los. Contudo, tenta pelo menos pensar sobre o que te falei acima, já que te vai obrigar a uma reflexão que muito possivelmente te vai salvar a muitos dissabores futuros.

 

Este post foi inspirado no livro "O meu MBA" do Josh Kaufman.

 

Espero que tenhas gostado, até à próxima 

 

06
Out19

Poupar para libertar

Luís Rito

Olá a todos 

 

Hoje vamos abordar um tema diferente do que tem sido a norma neste blog. No meu último post, falei-vos sobre hábitos de um profissional de excelência, se tiveres curiosidade podes lê-lo aqui. Um dos hábitos que abordámos de forma muito leve foi o de ter dinheiro disponível para fazer face às despesas de pelo menos 12 meses. Na teoria parece fácil, mas todos sabemos que por vezes o dinheiro mal chega para o comprimento gigante que têm os meses do ano não é 

 

O hábito da poupança é como qualquer outro hábito, necessita de consistência para que funcione. Não adianta poupares num mês para depois gastares no outro, no final o teu saldo vai ser sempre zero! É a consistência e a capacidade de repetir bons comportamentos ao longo do tempo que te vai trazer resultados. Tal como na gestão de qualquer empresa, a tua grande meta é fazer entrar mais dinheiro do que sai. Tal como um consultor executa um estudo antes de realizar qualquer tipo de recomendação a uma empresa, também tu deves fazer uma consulta à tua situação financeira atual.

 

1. Onde e quanto estou a gastar ao dia de hoje?

 

Primeira questão que tens que responder com alguma urgência, onde e quanto estou a gastar do meu dinheiro? Deves saber exatamente onde gastas o dinheiro, bem como qual o montante dispendido em cada um desses sítios. Por exemplo, sabes exatamente quanto gastas em cafés por mês? E em bolos? Qual a tua fatura média mensal em supermercado ou em jantares fora? Tens que conseguir responder a todas estas questões para conseguires chegar a algum lado. Se não souberes onde gastas então não vais ter forma de saber onde podes ou não reduzir custos, nem vais poder definir um budget para certo tipo de gastos. Pessoalmente utilizo um ficheiro de excel que mantenho atualizado numa base semanal. Todas as semanas entro no ficheiro e actualizo-o com todos os meus gastos (apenas uma vez por semana). É algo que me consome 5m no máximo. Isso permite-me ter uma ideia bem clara de onde ando a gastar o meu dinheiro, e de quanto consumi num determinado mês. Caso o budget que defini for ultrapassado, então já sei que vou ter que me conter até tornar a receber. Um truque que pode ajudar é, logo após receberes o teu ordenado, transferires uma determinada soma para outra conta (de poupança ou investimentos). Desta forma, se não tiveres dinheiro na tua conta à ordem não o vais gastar de certeza . Como bónus, para além de não gastares, estás também a poupar!

 

Liberdade Financeira

 

2. Onde e como posso reduzir o meu custo de manutenção?

 

Depois de teres uma ideia bem clara de onde gastas o teu dinheiro, estás preparado para passar para a próxima fase. Se queres levar a sério o hábito de poupança, deves reduzir todas as "gorduras" dos teus gastos. É nesta fase que deves ser pragmático e cortar aquilo que não acrescenta valor à tua vida. Nota que não estou a dizer para cortares em tudo, mas sim naquilo que consegues prescindir. Por exemplo, se dás valor a ir jantar fora todos os fins de semana, e se tens possibilidade para o fazer, então força nisso! O desafio é colocares tudo em causa, desde os cafés que bebes todos os dias até às mensalidades que pagas todos os meses. Quanto menos gastos tiveres menor será o teu custo de manutenção, o que resultará numa poupança superior (mesmo mantendo o mesmo ordenado). Se pensares bem, para conseguires poupar mais, das duas uma, ou ganhas mais, ou gastas menos, e a curto prazo a última é bem mais rápida e fácil de realizar. A beleza disto é que mesmo que aumentes o teu vencimento, se mantiveres o teu custo de manutenção baixo, significa que consegues poupar ainda mais. Quanto mais tiveres disponível mais livre te vais sentir, já para não falar que vais começar a viver a vida com mais tranquilidade.

Dou-te exemplos de sítios onde podes eventualmente cortar. Presta especial atenção às tuas despesas com mensalidades (Netflix, Spotify, Revistas, SportTV, etc etc), e decide se necessitas mesmo de todas elas. Faz sempre as contas ao ano, por exemplo, se o Spotify te custa 7€/mês, então são 84€/ano. Outro ponto, muitas pessoas pagam mensalidades de ginásio, piscinas e afins, mas nunca lá chegam a pôr os pés. Não te enganes a ti próprio, se não vais, então não pagues e cancela, podes sempre ir fazer umas caminhadas ou corridas para compensar. Presta atenção a todo o dinheiro que gastas também em calorias vazias como gelados, bolos, álcool, etc. Para além de não te fazerem bem à saúde também não te fazem bem à carteira. Se tens créditos ao consumo ou com cartão de crédito, faz um plano para os pagares rapidamente, cada mês que passa tens que suportar juros que te vão deixando sistematicamente mais pobre. As dicas são mais que muitas, não conseguiria colocar tudo neste post. Caso tenhas mais curiosidade sobre este tema, dá uma vista de olhos no meu livro "Liberdade Financeira".

 

3. Estou no caminho certo?

 

Finalmente o último passo é verificares se as ações que estás a tomar estão a trazer resultados. Se fizeres bem o passo 2, então inevitavelmente vais conseguir poupar mais dinheiro. Claro que se quiseres ir mais além, podes definir objetivos mensais e confirmar se os estás ou não a cumprir. Recomendo que definas um objetivo anual de poupança, e que o dividas pelos 12 meses do ano, permitindo-te chegar assim ao objetivo mensal. Dessa forma, caso atinjas o teu objetivo em determinado mês, não te deves sentir mal por gastar o excedente em coisas que realmente te dêem prazer e que adoras. Só temos uma vida, portanto aproveita-a!

 

Espero que tenhas gostado deste post, é um pouco diferente do que é habitual, mas pretendo de vez em quando tocar no tema finanças pessoais, acho que literacia financeira é um tema que deveria ser ensinado desde que somos crianças, talvez assim não existissem tantas famílias com sérios problemas de sobreendividamento.

 

Até à próxima 

 

30
Set19

Hábitos do profissional de excelência

Luís Rito

Olá a todos 

 

Hoje vamos falar de hábitos! Quem tem vindo a acompanhar o meu blog sabe a importância que dou à criação de hábitos. Continuo a achar que são a melhor forma de atingirmos a nossa melhor forma enquanto profissionais. Os hábitos que te vou descrever abaixo podem ser adaptados a qualquer tipo de profissão. Com curiosidade? Dá uma vista de olhos.

 

1. Obter certificação específica e relevante para a tua área de atuação. No caso de um gestor de projetos deves focar-te por exemplo nas certificações do PMI (Project Management Institute), já que continuam a ser das mais reconhecidas no mercado. Tenta obter uma certificação nova pelo menos a cada dois anos. Quando falo em certificação, podes pensar também em mestrados, MBA, etc. Não te concentres apenas em gestão de projetos, existe uma panóplia de temas que enquanto gestor de projeto podes melhorar, como por exemplo liderança, negociação, gestão de equipas de alto rendimento, six sigma, lean, etc etc. As possibilidades são mais que muitas.

 

2. Lê as propostas de emprego que existem na tua área e percebe se os teus skills ainda estão adequados ao mercado. É muito importante perceberes se ainda és relevante no mercado atual de trabalho. Caso existam muitos pontos que sentes que não dominas, é hora de embarcar em cursos presenciais, online, livros, YouTube, etc. Procura sempre a melhoria contínua.

 

3. Lê artigos ou publicações específicas da tua indústria de atuação. Procura estar por dentro das novas tendências, por vezes vais perceber que poderão ser modas passageiras, mas na grande maioria o teu tempo será muito bem investido. Não fiques cristalizado. Se achas que após saíres de uma faculdade já não vais precisar de aprender ou estudar materiais novos então vais ficar muito atrás da tua concorrência.

 

4. Escreve artigos ou ensina materiais que dominas. Para mim não existe melhor forma de te tornares especialista num tema que tentares ensiná-lo a outras pessoas. Essa partilha para além de ter um grande benefício para quem recebe a informação, acaba por ser também fantástica para ti, porque vais acabar por dominar os temas. Outro ponto positivo é que quando partilhas informação, quem a recebe pode também incluir novas ideias, o que vai resultar em conceitos mais robustos. Construir e partilhar é sempre melhor que esconder ou destruir.

 

5. Não queimes pontes. O teu trabalho deve ser sempre na perspetiva de construir pontes e nunca de as queimar. Deves trabalhar a tua capacidade de empatia e de negociação, já que a primeira te vai permitir perceber e entender quem está do outro lado, e a segunda vai-te permitir chegar a um consenso que resulte em situações de win-win. Entrares em guerra com as outras pessoas só vai tornar o teu trabalho mais difícil.

 

6. Faz exercício físico, alimenta-te bem e dorme aquilo que necessitas. O exercício físico liberta endorfinas (hormona da felicidade), faz-te parecer mais novo e dá-te mais energia no dia a dia. Quanto a mim parecem-me demasiadas vantagens para não as aproveitares, a única coisa que tens de prescindir é de 30m por dia para o realizar. Uma excelente alimentação também te torna mais saudável, transforma o teu cérebro num orgão mais "oleado" e faz-te sentir mais leve. Come muitos vegetais, gorduras ricas em ómega 3 como o azeite ou peixes gordos como salmão ou sardinha e bebe água continuamente ao longo do dia. Tenta ainda comer mais carnes brancas e menos vermelhas. Finalmente, nunca facilites na hora de descansar. O teu cérebro não funciona bem quando não dormes o suficiente, portanto dorme a quantidade de horas que necessitas. No meu caso fico bem com 7h a 7h30, portanto tento não dormir nem mais nem menos.

 

Exercício Físico

 

7. Junta algum dinheiro que te permita fazer face às tuas despesas mensais por um período de 6 a 12 meses. Podes pensar que este hábito está um pouco desenquadrado com os que te apresento acima, mas não subestimes o poder que teres esta almofada financeira te dá. Em primeiro lugar, cultivar um hábito de poupança é uma excelente forma de te preparares para o teu futuro e para a tua reforma. Em segundo lugar, teres este dinheiro de lado permite concentrares-te unicamente nas tuas funções do dia a dia, e não em dinheiro. Profissionais que se preocupam demasiado com contas que têm para pagar não são tão produtivos. Tens muitas empresas que pagam muito bem a alguns dos seus colaboradores para que eles não tenham que dispender massa cinzenta a pensar em dinheiro. Assim, quando algum imprevisto te acontece como um arranjo no carro, já não vais andar em sofrimento a pensar onde vais buscar o dinheiro, podes viver uma vida mais tranquila. Outra vantagem é que ter dinheiro te pode abrir oportunidades que estão vedadas quando não o tens. Por exemplo, se quiseres ir tirar um MBA podes ir fazê-lo sem estar a depender de empresas de crédito ou bancos, é tudo mais tranquilo e rápido. Também te permite encarar o dia a dia com outra atitude, já que vais deixar de ter tanto medo de vir a ser despedido. Em algumas pessoas isso transforma-se em mais garra e vontade de arriscar (algumas pessoas têm demasiado medo de errar e de vir a ser despedidas), o que na maioria das vezes origina bons resultados.

 

Agora é a tua vez. Dos hábitos que te apresento acima, és fã de algum? Quantos praticas no teu dia a dia?

 

Por hoje é tudo, até à próixma 

 

 

25
Set19

Tipos de liderança de um gestor de projetos

Luís Rito

Olá a todos 

 

Hoje quero abordar um tema que por vezes é esquecido pelos gestores de projeto, a forma como lideram as suas equipas. Não existe um estilo de liderança único que funcione para todas as situações, motivo pelo qual vos vou falar de vários tipos que podem adotar no vosso dia a dia. A informação que partilho convosco foi recolhida do livro "PMP Exam Preparation", um livro especialmente escrito para ajudar pessoas a passar na certificação PMP (Project Management Professional) do PMI (Project Management Institute).

 

Avançando, para que possas escolher o estilo de gestão indicado deves sempre ter em conta fatores como o teu estilo de gestão pessoal, a experiência da equipa e quais as suas necessidades e também a complexidade do teu projeto. O mais normal é que no decorrer do projeto tenhas que utilizar vários tipos de gestão, consoante o contexto em que te vais encontrar. Por exemplo, no início do projeto é possível que tenhas que adotar uma postura mais diretiva de forma a providenciar direção para a equipa, mas durante a execução poderás assumir uma postura mais colaborativa e de coaching à equipa.

 

Liderança

 

Alguns dos estilos que poderás adotar são os seguintes (vou manter os termos na língua inglesa por uma questão de facilidade):

 

Directing - Neste estilo basicamente o gestor diz à equipa o que tem que fazer.

Facilitating - Quando neste estilo, o gestor de projeto coordena os inputs da equipa e ajuda por exemplo no desbloqueio de problemas.

Coaching - Este estilo baseia-se muito em ajudar os membros da equipa a atingir os seus próprios objetivos.

Supporting - Este estilo significa que o gestor de projeto providencia assistência e apoio à equipa durante todo o ciclo de vida do projeto.

Autocratic - Método top-down, onde o gestor tem o poder para fazer o que quiser e a equipa realiza sem possibilidade de rebater.

Consultive - Método bottom-up, onde o gestor utiliza a influência que vai ganhando junto da equipa para obter resultados. O gestor ouve a opinião da equipa e atua mais como um servant-leader.

Consultive-Autocratic - Uma mistura dos dois últimos que referi acima. Nestes casos o gestor recolhe a opinião da equipa, mas depois recai sobre ele a decisão final.

Consensus - Como o nome indica, este estilo de liderança tem tudo a ver com obter o consenso da equipa na resolução de um problema ou na tomada de uma decisão.

Delegating - Neste estilo de liderança, o gestor define os objetivos mas depois transfere autoridade à equipa para os atingir e para os executar.

Bureaucratic - Este estilo foca-se muito em processo. Pode ser fundamental em situações onde ir ao detalhe é muito importante ou por exemplo em projetos de âmbito legal.

Charismatic - O motivador. Este estilo de liderança visa aumentar a energia da equipa, fazendo-a acreditar que tudo é possível. O principal objetivo é motivar a equipa.

Democratic ou Participative - Este estilo de gestão encoraja a equipa a participar em decisões importantes do projeto. Os membros da equipa ficam assim "donos" de tarefas específicas ou de certos objetivos.

Laissez-faire - Este estilo de liderança é basicamente deixar a equipa fazer o seu trabalho em paz. O gestor não está diretamente envolvido no trabalho, podendo no entanto ser consultado caso a equipa assim o entenda. Ideal para equipas muito experientes.

Anaytical - Este estilo depende muito das competências técnicas do gestor de projeto. Este tipo de gestores toma muitas vezes decisões de âmbito mais técnico que depois comunica à sua equipa. Tem também um grande foco em dados. 

Driver - Gestor que se encontra constantemente a mostrar o caminho. Normalmente fornece muita informação à equipa e corrige o trajeto caso esta se desvie do objetivo.

 

Confesso que eu próprio utilizo muitos dos estilos que vos falo acima, mas aqueles com que me identifico mais são os que fomentam o trabalho em equipa e a colaboração.

E tu, com quais te identificas?

 

Até à próxima 

 

22
Set19

Fases de desenvolvimento de uma equipa

Luís Rito

Olá a todos 

 

Hoje vamos falar sobre as fases que existem no desenvolvimento de uma equipa. Enquanto gestor de projeto, algo que terás de enfrentar muito durante a tua carreira é a criação de novas equipas. Decerto já reparaste que quando uma equipa se encontra formada à algum tempo torna-se tudo mais simples, as pessoas já se conhecem, já sabem com o que podem contar e acima de tudo têm claro qual o seu papel e responsabilidade dentro da própria equipa. 

 

O modelo mais famoso que visa explicar a dinâmica de uma equipa, desde a sua criação até ao seu término é o modelo de Tuckman. É sobre este modelo que te quero falar hoje. Contudo quero incluir também um ponto extra ao modelo que considero que te vai ajudar enquanto gestor de projeto. Em cada uma das fases de desenvolvimento de equipas que compõem o modelo de Tuckman, vamos ainda perceber qual o papel do líder da equipa em cada uma delas, já que este é fundamental para o seu sucesso.

 

Sem mais demoras, as 5 fases que compõem o modelo são as seguintes (mantenho a língua original, ou seja o inglês): Forming, Storming, Norming, Performing e Adjourning. Detalho abaixo cada uma delas.

 

Modelo de Tuckman

 

Forming

 

Fase em que os membros da equipa são reunidos e onde vão começar a trabalhar enquanto equipa. Geralmente nesta fase as pessoas são ainda muito cautelosas umas com as outras, já que ainda se estão a conhecer. Podem existir pessoas que vão acusar algum grau de ansiedade, pois vêem-se de repente rodeadas de outras pessoas que não conhecem e com o qual não se sentem à vontade. Nesta fase irá muito provavelmente também existir pouca definição de quais as responsabilidades de cada membro da equipa, o que pode levar a mais ansiedade e desilusão. 

Papel do líder: Enquanto líder, terás de ter um papel dominante nesta fase. Devido ao facto de muito provavelmente não existir definição clara de responsabilidades entre todos os membros (seja porque não foi definida, seja porque as pessoas ainda não as interiorizaram), deves fazer reuniões individuais com cada um dos membros da equipa. Essas reuniões para além de serem muito importantes para clarificar as responsabilidades de cada um, são também ótimas para perceber quais os objetivos, ambições ou intereses dos membros da equipa. Essa informação é fundamental para que consigas colocar as pessoas certas a trabalhar nas tarefas certas. 

 

Storming

 

Nesta fase começam a existir algumas discussões e desacordos no seio da equipa. Finda a fase de forming, as pessoas já ganharam confiança umas com as outras, o que lhes permite expôr a sua opinião de forma mais efusiva. É nesta fase que alguns pontos de vista contrários começam também a emergir, por exemplo, diferentes formas de trabalhar vão originar na maioria das vezes uma discussão sobre o que é certo e o que é errado. Não digo que discussão seja algo mau, tem é que ser feito de uma forma construtiva, o que muitas vezes não acontece. Interessa referir que a maioria das equipas falha na fase de storming, principalmente quando não consegue ultrapassar as diferenças que existem entre os seus membros. Outra situação que pode acontecer nesta fase é uma diferenciação entre volume de trabalho entre membros da equipa. Pode acontecer alguns elementos terem um volume de trabalho muito elevado enquanto outros não. Isto invariavelmente leva a descontentamento e desmotivação.

Papel do líder: Nesta fase o líder tem que estar muito presente e atento ao que se passa. Deve assumir uma postura mais diretiva e encaminhar a equipa para o caminho correto sempre que alguns membros se tentem desviar. Deve reduzir ainda a tensão que possa existir entre algumas pessoas. Caso ainda existam dúvidas relativamente à forma de trabalhar ou às responsabilidade de cada um, o líder deve atuar de imediato e clarificar ambos o pontos.

 

Norming

 

De uma forma gradual a equipa vai avançando da fase de storming para a fase de norming. As pessoas começam a respeitar-se umas às outras, começam a aceitar as diferenças de cada um, encarando-as inclusive como uma vantagem e aprendem a trabalhar em conjunto. É nesta fase que normalmente as pessoas se começam a conhecer melhor, seja na esfera profissional seja na esfera pessoal. Começam a ir beber café ou a almoçar em conjunto, e laços de amizade surgem. É também nesta fase que alguns resultados positivos poderão começar a emergir, trazendo motivação extra para toda a equipa. Deixo só um alerta, a transição da fase de storming para a fase de norming é talvez a mais difícil e demorada, enquanto líder não podes desmotivar. Tens que ser muito persistente e continuar a facilitar esta transição.

Papel do líder: Nesta fase o líder é mais um facilitador e motivador. Deve mostrar à equipa os bons resultados, deve desenvolver o processo de trabalho de forma a perseguir uma maior performance e deve ainda adequar as qualidades e interesses das pessoas às tarefas e responsabilidades existentes. 

 

Performing

 

Esta é a fase ideal de uma equipa. Todos sabem claramente quais as suas responsabilidades dentro da equipa, todos se conhecem e respeitam-se enquanto pessoas e profissionais, o processo de trabalho está rotinado e otimizado e existe um flow de trabalho constante. Esta fase é caracterizada por uma elevada produtividade e performance. Existe ainda motivação e confiança entre membros da equipa, e por vezes até um sentimento de orgulho por fazer parte da equipa.

Papel do líder: Nesta fase a necessidade de supervisão é pequena, portanto o líder pode agora concentrar-se no desenvolvimento individual de cada uma das pessoas. É nesta fase que se costuma dizer que se o líder não estiver durante algumas semanas, a equipa conseguirá de forma sustentada continuar a produzir excelente trabalho. Deve portanto existir um foco maior em coaching individual a cada uma das pessoas, permitindo trabalhar nos pequenos detalhes que vão produzir grandes resultados no futuro. 

 

Adjourning

 

Fase de separação da equipa. Esta terá de acontecer caso a tua equipa tenha sido formada no âmbito de um projeto, já que estes têm um início e fim bem definidos. Esta fase pode ser muito difícil para algumas pessoas, principalmente aquelas que criaram laços muito fortes com outros elementos da equipa, ou sempre que exista pouca visibilidade do sítio para onde irão trabalhar no futuro. 

Papel do líder: Encorajar as pessoas a refletir sobre toda a experiência que foi o projeto.Tranquilizar quem esteja mais inseguro sobre o futuro e sobre o eventual afastamento com quem trabalhou nos últimos tempos. Fomentar o contacto futuro entre as pessoas, não é por um projeto ter terminado que vão deixar de ser amigos ou de estar em contacto. 

 

E é isto. São estas as 5 fases do modelo de Tuckman. Se fazes parte de uma equipa decerto identificas-te com algumas das coisas que te fui escrevendo. Faço-te um desafio, sabes em que fase se encontra a tua equipa neste momento?

 

Por hoje é tudo, espero que tenhas gostado e até à próxima 

 

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